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Engravidei na pandemia, e agora?

Os riscos e os cuidados que a gestante deve ter com a infecção pelo novo coronavírus

Por Marianne Pinotti Atualizado em 17 fev 2021, 09h22 - Publicado em 17 fev 2021, 09h10

Quando pensamos em ter um bebê queremos que tudo esteja perfeito, cuidamos de nossa saúde, preparamos o quartinho e as roupinhas, imaginamos a alegria que será a chegada deste novo ser que nos fará companhia para o resto da vida, inegavelmente é um momento único na vida de nós mulheres! Em minha experiência como obstetra, acompanho a angústia de futuras mamães quando qualquer coisa está fora do normal. Mesmo que sejam alterações simples, na gravidez é sempre mais difícil enfrentar, porque no imaginário da mãe tudo deveria estar absolutamente sob controle! Infelizmente a vida não é assim, e nos últimos meses assistimos o mundo mudar completamente, e isso não foi diferente para as gestantes e seus parceiros ou parceiras.

No início da pandemia houve uma enorme preocupação com as gestantes e puérperas, principalmente pela história recente da pandemia de H1N1 em 2008/2009, quando perdemos muitas gestantes acometidas dessa doença. O mundo inteiro incluiu essa população no grupo de risco e as medidas de proteção foram adotadas, as clínicas e maternidades passaram a cumprir protocolos rígidos de segurança, inclusive limitando visitas hospitalares para mamães e recém-nascidos.

Hoje conhecemos melhor nosso “inimigo” e, apesar de haver risco, ele é semelhante ao da população geral para que as grávidas desenvolvam a forma grave da Covid-19, que na população jovem é menor que 5% dos casos. Lógico que devemos estar muito atentos com os sintomas e, em especial com questões relacionadas à coagulação, pois sabemos que as gestantes já têm risco aumentado de alterações do tipo trombose, além disso a resposta inflamatória disseminada também pode ser pior na gravidez. Em confirmado o diagnóstico de Covid-19 na gravidez devemos realizar exames e adotar medidas preventivas específicas para este grupo de pacientes, além de tratarmos em conjunto com a equipe de infectologia.

Infelizmente ainda não temos um tratamento específico para o Covid-19, e os estudos das vacinas não incluíram gestantes em um primeiro momento, então para esta população a única forma de proteção são as medidas de distanciamento social, uso de máscara e higiene constante das mãos, medidas estas que teremos que manter até o final da pandemia.

Quando pensamos nos bebês precisamos ter também atenção redobrada, a Covid-19 pode ser transmitida no útero e o recém nascido já nascer com a doença, ou adquiri-la nos primeiros dias de vida através de contato ou até amamentação, ainda não está claro se a mãe com Covid-19 deve amamentar, pelo menos até o exame de RT-PCR estar negativo ela deverá evitar o aleitamento e o contato com o bebê terá que ser com máscara.

Para terminar nossa conversa de forma tranquilizadora, hoje, após 1 ano da chegada da pandemia de Covid-19 no mundo, as equipes de obstetras e as maternidades estão seguras e preparadas para garantir que o momento da chegada do esperado bebê seja mágico e com a segurança que sua família merece.

Dra. Marianne Pinotti
A ginecologista, obstetra e mastologista Dra. Marianne Pinotti Heitor Feitosa/VEJA.com

 

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