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José Vicente Professor, advogado e militante do movimento negro, ele é o reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, instituição pioneira de ensino no Brasil que ajudou a fundar em 2004.

Na luta contra o racismo, o presidente da Vivo foi um gigante

Diante de um inimigo tão poderoso são reconfortantes e valiosíssimos os grandes e pequenos gestos, os simples e complexos atos

Por José Vicente 15 jul 2021, 20h04

O racismo no Brasil, nas suas generalizantes manifestações tem desafiado a tudo e a todos. Seja pela sua relutância existencial, seja pela amplitude e intensidade fluida, ele alcança e agride de forma abjeta, injusta e brutal suas vítimas e constrange todos ao redor. Da mesma forma, permite conhecer o racismo ou racista de superfície, ou aquele que habita ou se esconde dentro de muitos de nós.

Apesar de sua injustificada e irracional existência ele produz sentimento de regozijo, potência, força, poder e licença para o algoz, e hostiliza, agride e petrifica na sua vitima um sentimento de fragilidade e impotência, produzindo dor e sofrimento que atinge sua alma, e promovendo sequelas e distúrbios psico-mentais profundos e até permanentes. Stress, depressão, recolhimento, perda da confiança e desestímulo são comuns, dentre tantas outras manifestações. Ele ofende a dignidade humana do individuo e procura impedir e mesmo eliminar no a capacidade de exercer com liberdade e autonomia sua qualidade de cidadão.

Por todos esses motivos é indispensável a permanente construção e fortalecimento de uma cruzada para combater sua existência e permanência, e deve ser inegociável qualquer tipo de concessão à sua prática e aos seus praticantes. Como se afirmou socialmente, racismo é crime e precisa ser combatido. Todos serão sempre indispensáveis nesse processo de avanço e superação civilizatória, e as atitudes e comportamentos das pessoas, principalmente daquelas que de maneira franca e convicta se compreendem antirracistas, serão sempre suscitados a se confirmarem de forma prática e objetiva.

A atitude e desprendimento do presidente da empresa Vivo, Christian Gebara, é daquelas que enche os olhos. Tomando conhecimento do crime de racismo de que fora vítima seu funcionário negro André Gomes Felício, perpetrado por uma cliente, numa loja da empresa, no Shopping Plaza, na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro, realizou o impecável e grandioso gesto de sair de São Paulo e deslocar ao local de trabalho do funcionário e acolhê-lo num fraterno e solidário abraço.

Diante de um inimigo tão poderoso são reconfortantes e valiosíssimos os grandes e pequenos gestos, os simples e complexos atos. Mas um abraço do presidente da empresa não tem dinheiro que pague e não haverá borracha que apague. Ficará para sempre tatuado no fundo das duas almas e terá a força e a potência de reenergizar o espirito e encorajar a seguir adiante, a começar tudo de novo.

Sensibilidade e empatia de um lado, e atitude e comprometimento do outro, são antídotos extraordinário contra o racismo e os racistas. Como bem definiu a máxima popular: pelo dedo se conhece um gigante.

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