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José Casado Por José Casado Informação e análise

Os mais ricos aumentaram a aposta em Bolsonaro

Caiu de maneira significativa a taxa de reprovação do presidente nessa fatia do eleitorado, caracterizada pela renda mensal acima de dez salários mínimos

Por José Casado Atualizado em 17 set 2021, 03h52 - Publicado em 17 set 2021, 08h00

Os eleitores mais ricos aumentaram sua aposta em Jair Bolsonaro nos últimos dois meses. É o que mostra a pesquisa Datafolha divulgada ontem à noite.

Caiu de maneira significativa a taxa de reprovação do presidente nessa fatia do eleitorado, caracterizada pela renda mensal acima de dez salários mínimos (R$ 11 mil na média nacional).

Em julho, 58% desaprovavam a maneira como Bolsonaro conduzia o governo. Agora, são 46%. Ou seja, houve uma melhoria de doze pontos percentuais na avaliação desse segmento de eleitores.

Nele, se destacam os empresários: 47% classificam como “ótima” ou “boa” a maneira como Bolsonaro governa. É o único grupo pesquisado onde a aprovação supera a crítica (34% de “ruim” e “péssima”).

Os resultados sugerem uma tendência de avaliação gradualmente favorável a Bolsonaro entre os mais ricos. Em julho, a desaprovação detectada pelo Datafolha já estava cinco pontos abaixo do índice do segundo trimestre. Agora ficou ainda menor, em doze pontos.

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Essa percepção é absolutamente contrária à da ampla maioria do eleitorado. Está na contramão da opinião que prevalece na classe média e nos mais pobres, onde se concentram oito de cada dez brasileiros aptos a votar.

Mais atingidos pelos desarranjos da economia, traduzidos no vigor da inflação e do desemprego, são esses os responsáveis pelo nível recorde de repúdio ao governo: 53% de reprovação e somente 22% de “ótimo” ou “bom”. É 21 pontos acima do registrado há nove meses.

Mauro Paulino e Alessandro Janoni, diretores do Datafolha, anotaram a resiliência dos eleitores mais ricos. Ao apresentar a pesquisa, chamaram a atenção para dois aspectos do histórico desse segmento que qualificam como “estratégico” para Bolsonaro.

Eles foram os primeiros a “despertar” para o candidato PSL em 2018. E, também, foram os pioneiros no “desembarque” do apoio ao presidente durante o desgoverno da pandemia, que matou mais de 589 até ontem.

É a elite do eleitorado, mais ampla que a fração de bolsonaristas fiéis, restrita a 11% (já foi 17%) da amostra de 3.667 eleitores entrevistados nesta semana, e identificada por critérios como voto declarado, confiança e avaliação.

Pelo comportamento recente, a maioria desse grupo não se autojustifica em compromisso de fidelidade com o  bolsonarismo. Paulino e Janoni sugerem aguardar, para ver se os mais ricos “anteciparão ou não movimentos que poderiam se espalhar”, como em 2018. É condimento de suspense numa eleição que vai acontecer em 13 meses — tempo equivalente à eternidade na política.

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