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José Casado Por José Casado Informação e análise

No Enem, uma fotografia em preto e branco da pobreza

Apenas 3,1 milhões participaram, e somente 11,7% eram negros. A quantidade de isentos de taxa, por reconhecida pobreza, caiu 77%

Por José Casado Atualizado em 23 nov 2021, 04h10 - Publicado em 23 nov 2021, 08h30

O quadro de inscrições no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é uma fotografia do avassalador processo de empobrecimento.

Apenas 3,1 milhões de estudantes participaram, menor número dos últimos 16 anos. E somente 11,7% eram negros, queda recorde em 12 anos.

Fica pior: o número de inscritos com isenção da taxa (R$ 85,00) por declaração de pobreza caiu 77% em relação ao ano passado.

Foram 1,4 milhão de estudantes isentos — 45% do total. Houve tempo em que de cada 100 inscritos 90 eram reconhecidos como pobres e, por isso, dispensados do pagamento de taxas.

Numa conta básica, uma despesa de R$ 85,00 equivale, hoje, a 85% do volume de dinheiro necessário para compra de um botijão de gás. A conta aumenta com o custo do transporte até o local da prova do Enem. É decisivo no orçamento de famílias pobres numa época de desemprego recorde, principalmente entre jovens negros, e com inflação crescente.

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