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José Casado Por José Casado Informação e análise

Devassa nas finanças da era chavista terá reflexos no Brasil

Começa hoje, em Miami, um enredo que vai transformar os EUA em tribunal da era chavista na Venezuela. São previsíveis os reflexos no Brasil e vizinhos

Por José Casado Atualizado em 1 nov 2021, 05h01 - Publicado em 1 nov 2021, 09h00

Quando o empresário colombiano Álex Nain Saab Morán se apresentar hoje ao juiz Josh O´Sullivan, em Miami, começará um enredo judicial que deve transformar os Estados Unidos numa espécie de tribunal da era chavista na Venezuela.

Saab, como é conhecido, é peça-chave no submundo das finanças da ditadura venezuelana, do falecido presidente Hugo Chávez ao sucessor Nicolás Maduro. São previsíveis os reflexos no Brasil, Argentina, Chile, Bolívia e Peru.

Em 2019 ele foi flagrado no contrabando de sete toneladas de ouro da Venezuela, interceptadas num porto de Uganda, na África. Escapou. Segundo o Departamento do Tesouro americano, era operação de lavagem de dinheiro para o governo Maduro, realizada com apoio do Hezbollah na Turquia, no Panamá e em Hong Kong. Saab foi preso em junho do ano passado, em Cabo Verde, quando embarcava para o Irã. Os EUA conseguiram sua extradição há duas semanas.

Um dos seus negócios mais lucrativos na lavagem de ativos foi a importação de alimentos para o programa governamental de distribuição de comida subsidiada do governo da Venezuela, a partir de uma rede de fornecedores em países como o Brasil e o México.

“A rede de corrupção que opera o programa permitiu que Maduro e seus familiares roubassem do povo venezuelano”, acusou o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, ao apresentar a denúncia judicial que levou à prisão de Saab. “Eles usam a comida como uma forma de controle social, para recompensar apoiadores políticos e punir oponentes, ao mesmo tempo embolsando centenas de milhões de dólares por meio de uma série de esquemas fraudulentos.”

Saab é peça importante no mapeamento do circuito subterrâneo das finanças do regime chavista. Mas não é a única.

A Justiça da Espanha autorizou a extradição para os EUA de dois outros personagens relevantes no mosaico chavista: Hugo Carvajal, ex-chefe dos serviços militares venezuelanos de espionagem, e Claudia Díaz, enfermeira de Chávez, que a promoveu ao cargo de tesoureira do governo da Venezuela.

Carvajal rompeu publicamente com Maduro em 2019, em meio a uma confusão sobre vínculos do governo com redes internacionais de narcotráfico “donas” de territórios na fronteira da Venezuela com a Colômbia, o Peru e o Brasil. Nunca escondeu sua condição de “arquivo vivo”.

Com ou sem acordos de cooperação, o trio será protagonista de uma devassa judicial da intimidade dos governos Chávez e Maduro. Haverá exposição das suas relações politicas e financeiras com políticos, partidos e empresas  na América do Sul. O Brasil está nesse mapa.

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