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José Casado Por José Casado Informação e análise

Derrota de Ciro Nogueira: R$ 800 milhões do BB para governo do PT no Piauí

Ele ameaçou romper com Bolsonaro por causa desse crédito. Ganhou a Casa Civil e tentou impedir o repasse. Mas o STF mandou liberar o dinheiro até sexta

Por José Casado Atualizado em 22 ago 2021, 04h18 - Publicado em 22 ago 2021, 09h00

Até sexta-feira, o governo Jair Bolsonaro deverá depositar R$ 800 milhões na conta do Estado do Piauí, governado por Wellington Dias, do Partido dos Trabalhadores. É decisão do Supremo Tribunal Federal, formalizada na sexta-feira pelo juiz Dias Toffoli.

É a primeira derrota de Ciro Nogueira em três semanas na chefia da Casa Civil da Presidência. Ele é líder do Partido Progressistas (PP) e do Centrão, esteio parlamentar de Bolsonaro.

Candidato ao governo do Piauí, era senador e estava em férias no México quando soube, no final do mês passado, do repasse desse dinheiro à administração de Dias, um antigo aliado e hoje adversário. São recursos de uma operação de crédito rotineira entre o Estado e o Banco do Brasil, com aval da União aprovado pelo Ministério da Economia, depois de passar pelo crivo das secretarias do Tesouro e da Fazenda.

Ciro Nogueira reagiu com o fígado à perspectiva de ver os adversários petistas beneficiados numa transferência de recursos federais em valor seis vezes maior do que ele havia conseguido garantir em Brasília para prefeitos aliados.

Ameaçou romper com Bolsonaro, deixando-o aflito. O senador presidia o PP, locomotiva do Centrão, e integrava a CPI da Pandemia, onde a bancada governista é minoria. Pior, Ciro atua em harmonia com Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, com poder de definir a pauta de votações dos deputados e, também, de decidir sobre o futuro de mais de 120 pedidos de impeachment do presidente que permanecem estacionados na sua gaveta.

Já aprovado, o empréstimo de R$ 800 milhões ao governo do adversário não podia ser revogado. Bolsonaro aceitou a sugestão de um dos filhos parlamentares, o senador Flávio (Republicanos-RJ), e deu a Casa Civil a Ciro Nogueira. Surpreendeu aliados como Luiz Eduardo Ramos, que soube pela imprensa da sua demissão do cargo oferecido ao senador do PP — ele acabou na Secretaria-Geral da Presidência. Entregou a “alma do governo” ao Centrão, nas próprias palavras.

O senador foi nomeado na quarta-feira 28 de julho. Celebrou a posse na quarta-feira seguinte, 4 de agosto, quando o Diário Oficial estampou uma portaria suspendendo a execução do contrato. O governo do Piauí recorreu ao Supremo, e ganhou a causa.

Ciro Nogueira perdeu. Continua candidato ao governo estadual, mas ainda distante da liderança nas pesquisas. Nelas prevalecem aliados do governador Dias, que está no quarto mandato de um ciclo de hegemonia na política local inaugurado há 18 anos, na esteira da eleição de Lula na presidência. Se o cenário eleitoral do Piauí já estava complicado para o chefe da Casa Civil, agora ele terá de enfrentar a máquina eleitoral petista turbinada pelos R$ 800 milhões federais.

Em compensação, Ciro Nogueira virou sócio de Bolsonaro na “alma do governo”. Na leitura pragmática do Centrão, isso significa ter o controle do Orçamento da União a 14 meses das eleições gerais.

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