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Jorge Pontes Jorge Pontes foi delegado da Polícia Federal e é formado pela FBI National Academy. Foi membro eleito do Comitê Executivo da Interpol em Lyon, França, e é co-autor do livro Crime.Gov - Quando Corrupção e Governo se Misturam.

Vídeo confirma declarações de Moro

Ficam evidentes o interesse exacerbado e a pressão exercida pelo presidente sobre a PF do Rio

Por Jorge Pontes - Atualizado em 30 jul 2020, 18h54 - Publicado em 23 Maio 2020, 12h10

O vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, liberado ao conhecimento público ontem pelo Ministro Celso de Mello, encerra elementos extremamente relevantes que dão suporte ao que o ex-ministro Sergio Moro afirmou.

Ficam evidentes o interesse exacerbado e a pressão exercida pelo presidente sobre a PF do Rio. Há, inclusive, ameaças – não tão veladas – de demissão do chefe da Policia Federal, e do próprio ministro da justiça.

Bolsonaro, como havia declarado o ex-ministro, não disfarça a sua obsessão pela PF do Rio de Janeiro, e manda, nas suas falas, diversos recados e indiretas ao ex-ministro Sergio Moro.

E era exatamente isso, e somente isso, que se buscava com o ‘disclosure’ do vídeo: evidências de que o presidente desejava interferir na unidade carioca da polícia judiciária da União.

As mudanças que de fato ocorreram, a troca do superintendente da regional do Rio, operada imediatamente após a demissão de Sergio Moro, é a própria consumação da interferência.

Mas há também o conjunto de depoimentos que estão sendo tomados e, ainda, o espelhamento do celular do ex-ministro, que traz mensagens que comprovam as reiteradas investidas do presidente.

Impende esclarecer que um inquérito policial, de maneira geral, não forma convicção sobre a autoria e materialidade de um crime apenas com um registro ou uma única diligência. É o conjunto de elementos colecionados no curso de uma investigação que define o seu sucesso.

Ao final do inquérito, a nossa atenção – e aflições – se voltarão para o Procurador Geral da República que, ao que parece, espera ser indicado para uma das duas vagas que se abrirão nos próximos dois anos no STF.

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