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The Walking Dead – A Retomada da 6ª Temporada

Por Isabela Boscov Atualizado em 30 jul 2020, 23h31 - Publicado em 16 fev 2016, 18h34

A série segue andando, mas tenho dúvidas se está viva


Atenção: este texto está cheio de SPOILERS.


Depois de cinco temporadas excepcionais – nas quais, além de oferecer drama, ação, suspense e horror, propôs algumas ideias fascinantes sobre como se destrói e se constrói uma sociedade, The Walking Dead entrou na sua sexta temporada acenando com o que parecia ser o mais decisivo dos seus embates: os moradores de Alexandria escolheriam preservar sua segurança acima de tudo e apoiariam o estado policial de Rick? Ou prefeririam preservar sua “civilização” e apoiariam o matriarcado de valores positivos de Deanna?

TWD, porém, já entrou nesta sexta temporada pisando torto: esvaziou essa discussão para se concentrar na decisão incoerente de Rick de tocar para fora de uma pedreira próxima a Alexandria o rebanho de zumbis que estava preso ali. No final da midseason, comentei aqui no blog que se até eu sei que essa é uma ideia irracional do ponto de vista da estratégia, é certeza que também os roteiristas sabem disso – e apoiar toda a ação em um pilar bambo como esse resultou em uma sexta temporada periclitante, tão frágil como dramaturgia que tudo em TWD balançou junto com ela. Nunca houve em TWD tantos diálogos ruins, tantos conflitos forçados, tantas cenas mal filmadas (minha preferida: Rick tenta deter a invasão de zumbis com um colchão) e tanta safadeza com o público como na primeira parte da sexta temporada.

O que eu entendo por safadeza? Por exemplo, a edição malandra da cena em que Glenn “morre”, e que alguns episódios depois se revela um mero truque – o sujeito que estava por cima dele é que estava morto. TWD nunca precisou tapear o público ou recorrer a esse tipo de desonestidade para criar suspense. Mas, pelo jeito, agora tomou gosto pela coisa, e no primeiro episódio da retomada fez isso de novo – e pior. A ultimíssima cena da midseason, aquela em que Rick, Michonne e outros caminham cobertos de vísceras entre um mar de zumbis, foi um dos melhores cliffhangers da série: enquanto eles tentavam se manter em silêncio absoluto, o traumatizado garoto Sam perdia o controle e começava a chamar pela mãe. Portanto, à meia-noite e 15 de domingo, eu estava diante da TV pronta para um daqueles pesadelos formidáveis de TWD, como a cena que uniu as duas metades da segunda temporada – aquela em que o celeiro de Hershel se abria.

À meia-noite e 16, porém, eu já estava indignada: mais um alarme falso pilantra. E os quarenta minutos que se seguiram foram igualmente desanimadores. A solução rasteira para eliminar Sam & família, os lugares-comuns das lições de vida de Glenn para Enid, a fuga sem pé nem cabeça do Lobo com a dra. Denise (incluindo-se aí a péssima atuação de Merritt Wever, que foi sempre uma das melhores coisas de Nurse Jackie) – é difícil decidir o que foi pior no episódio. Ou se não seria o caso de, do roteiro à direção, considerar tudo uniformemente ruim. Parecia um daqueles episódios chinfrins de 24 Horas, em que os roteiristas vão tomar um café e deixam tudo na mão de um comitê de meninos de 5 anos (você tem irmão, filho ou sobrinho? Então sabe como são aquelas histórias: “E aíííí, então, veio o leão da montanha e…. E aíííí a moça empurrou os zumbis e….”. Foi igualzinho).

Não faço ideia do que terá acontecido: se houve alguma mudança na equipe de TWD, se alguém veio com uma pesquisa irresponsável que diz que o público prefere assim, ou se chegou-se afinal naquele momento quase inevitável em que uma série perde o rumo (e também a compostura, neste caso). Achei que o hiato de quase três meses serviria para corrigir o que ia mal na sexta temporada. Mas, ao que tudo indica, os responsáveis não acham que algo ia mal. Pois vai. De mal a pior.

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