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Spike Lee volta a denunciar o racismo americano em ‘Destacamento Blood’

No longa da Netflix, o diretor prossegue seu diálogo sobre o que é ser negro nos EUA Diante dos fatos recentes, o filme soa ameno — mas não menos oportuno

Por Isabela Boscov - Atualizado em 12 Jun 2020, 11h54 - Publicado em 12 Jun 2020, 06h00

Nos dias de hoje, quatro velhos amigos se reúnem em um hotel confortável na cidade de Ho Chi Minh: Otis (Clarke Peters), Paul (Delroy Lindo), Melvin (Isiah Whitlock Jr.) e Eddie (Norm Lewis) combateram na Guerra do Vietnã, nos anos 60, e deixaram para trás no Sudeste Asiático um companheiro morto e um tesouro — um baú de barras de ouro, perdido na mesma ação em que morreu seu comandante e amigo idolatrado, Norman (Chadwick Boseman, o Pantera Negra). A ideia é retornar ao ponto da selva em que tudo se passou cinco décadas antes para recuperar os restos mortais de Norman e, de quebra, o butim. Assim, com um roteiro inspirado no clássico de 1948 O Tesouro de Sierra Madre, de John Huston, e que transita do cômico para o dramático, o diretor Spike Lee expande em Destacamento Blood (Da 5 Bloods, Estados Unidos, 2020), disponível na Netflix, um diálogo que vem travando ininterruptamente com a plateia desde sua estreia — uma discussão sobre as incontáveis maneiras em que ser negro, nos Estados Unidos, é completamente diferente de ser branco. O debate começa na própria existência de Destacamento Blood: os soldados negros na Guerra do Vietnã somavam o dobro de sua proporção na população americana, mas até hoje se contam nos dedos de uma mão os filmes que tratam do conflito sob a perspectiva deles.

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Desde o início, enquanto bebem e jogam conversa fora no bar do hotel, os quatro amigos sentem a força não só do que sempre os uniu, como também do que agora os separa: vidas muito diversas e, consequentemente, pontos de vista divergentes (Paul, o mais amargo do grupo, deixa os amigos entre o desconsolo e a indignação quando declara ser um eleitor de Donald Trump). Em uma excelente fase, puxada pelo recente Infiltrado na Klan, Lee tem se dedicado a frisar que a “experiência negra” nada tem de homogênea, exceto em um particular — o de que há 155 anos a promessa de igualdade deixa de ser cumprida de forma acintosa, e frequentemente violenta. Diante do chocante assassinato de George Floyd por policiais brancos de Minneapolis, das manifestações que tomaram as ruas dos Estados Unidos desde então e das odiosas reações divisivas de Trump, Destacamento Blood talvez pareça ameno. Mas não é menos oportuno, tampouco menos lúcido.

Publicado em VEJA de 17 de junho de 2020, edição nº 2691

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