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Soundtrack

Um ponto fora da curva (ainda bem) no cinema nacional

Cris (Selton Mello) é recebido com reticência pelo quarteto de cientistas que ocupa a estação de pesquisa: não sabe nada sobre os perigos do inverno ártico, é um elemento estranho num espaço tão confinado e regrado, e o propósito de sua visita escapa completamente aos pesquisadores. O intuito de Cris é produzir uma série de auto-retratos tirados contra a imensidão branca, os quais deverão ser vistos, depois, ao som da música exata que ele ouvia no momento em que cada foto foi feita. “Você veio aqui fazer selfies???”, indaga, incrédulo, o meterologista Mark (o excelente Ralph Ineson, de A Bruxa), encarregado de dividir seu alojamento com o artista e cuidar para que ele não congele, não se perca ou não suma em alguma fenda no gelo. Entre os temas de Soundtrack figuram os diferentes caminhos pelos quais a ciência e a arte podem levar a algum conhecimento ou nova percepção, e também as diferentes interpretações do que significa o isolamento. Tão firmes em suas respectivas trincheiras de início, Cris e Mark aos poucos descobrem que o sentido do que fazem não é tão diferente assim – mas, para o fotógrafo, talvez já não seja o suficiente (não, não vou dar spoiler). Circunspecto, um bocado comovente e cheio de momentos de beleza inesperada, Soundtrack não se parece com nada do que o cinema brasileiro produz, como diz Selton na entrevista que você vê clicando no link “Veja também” abaixo.

Soundtrack

 (Imagem Filmes/Divulgação)

Mas, apesar de falado em inglês e passado no deserto de neve e vento do inverno polar (impecavelmente reproduzido em estúdio no Rio de Janeiro), é, sim, produção 100% nacional, e um ótimo lembrete de que não há de ser por falta de roteiros, cineastas, atores ou recursos técnicos que os filmes brasileiros têm de ficar empacados nos mesmas temas de sempre. Gestado depois que Selton e Seu Jorge (que interpreta um botânico no filme) fizeram o curta-metragem Tarantino’s Mind com a a dupla 300ml – que é como os cineastas Bernardo Dutra e Manitou Felipe assinam –, Soundtrack é em tudo um ponto fora da curva. Inclusive na própria trilha sonora, tão importante que dá título à história: Seu Jorge nem comparece nela, e o produtor musical Dudu Marote abre espaço para os sons experimentais de Arvo Pärt, Polmo Polpo, Thomas Köner e Johann Johannsson, entre outros (além de belíssimos trechos das transmissões à Terra dos astronautas da Apollo 8 e de uma entrevista de Alfred Hitchcock).

Veja também

Trailer

SOUNDTRACK
Brasil, 2017
Direção: 300ml
Com Selton Mello, Ralph Ineson, Seu Jorge, Lukas Loughran, Thomas Chaanhing
Distribuição: Imagem

 

Comentários
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  1. Alexandre Silva

    Seu Jorge não participa da trilha sonora, isso só pode ser saudado como uma ótima notícia.

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  2. Antonio Lima

    Uma pena, que seu Jorge, o maior músico do Brasil não participa da trilha sonora…

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