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Série ‘Nove Desconhecidos’ mira no intrigante mas acerta no ridículo

De 'Big Little Lies' a 'The Undoing', a colaboração entre Nicole Kidman e o produtor David E. Kelley rende dividendos cada vez menos atraentes

Por Isabela Boscov Atualizado em 16 ago 2021, 10h14 - Publicado em 14 ago 2021, 08h00

Em Big Little Lies, no papel de uma mulher de vida perfeita na aparência e infernal na intimidade, Nicole Kidman se revelou a musa do produtor David E. Kelley: não só ele colocou a personagem no centro da segunda etapa da série, como criou para Nicole a trama de dissimulação e crime de The Undoing, na qual, novamente, uma esposa descobria tarde demais o caráter do homem com quem se casara. Agora, menos de um ano depois da estreia de The Undoing, e com resultados progressivamente duvidosos, lá está a atriz mais uma vez à frente de um projeto de Kelley — a minissérie Nove Desconhecidos (Nine Perfect Strangers, Estados Unidos, 2021), que começa a ser exibida com três episódios nesta sexta, 20, no Prime Video, da Amazon, e então segue, semanalmente, até 22 de setembro. Isso se o espectador se animar a seguir junto com ela: tomando-se como base os primeiros capítulos, Nove Desconhecidos — como Big Little Lies, adaptada de um romance da australiana Liane Moriarty — é o que se poderia descrever como profundamente superficial.

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Em uma atuação plastificada, que beira o constrangedor, Nicole faz Masha, uma russa com sotaque de intensidade variável que, no seu exclusivíssimo spa, brinca de deus: destila os interessados em passar ali uma temporada em grupos voláteis, de nervos à flor da pele. Os nove hóspedes incluem o ex-­atleta viciado em opioides (Bobby Cannavale), a mulher de meia-idade que se apaixonou on-line e levou um golpe (Melissa McCarthy), a esposa trocada por uma namorada mais nova (Regina Hall), a jovem obcecada pela beleza (Tiffany Boone), o sujeito vítima de bullying que virou ele próprio um bully (Luke Evans) e uma família retalhada por um suicídio (Michael Shannon, Samara Weaving e Grace Van Patten). A série mira no intrigante mas acerta no ridículo, e não faz ideia do que lhe interessa ou desinteressa mais — se seu catálogo básico do dano emocional, se os métodos de Masha, se as ameaças de morte que ela vem recebendo ou se a peruca loira de Nicole. Na falta de uma decisão por parte dos responsáveis, cabe ao espectador tomar a sua e fazer reserva em outro estabelecimento.

Publicado em VEJA de 18 de agosto de 2021, edição nº 2751

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