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Indicado ao Oscar, ‘Minari’ fala da busca do sonho americano por coreanos

O filme é tão delicado que pode passar por sentimental. Mas é nos detalhes que mostra sua robustez ao retratar as fendas culturais entre gerações

Por Isabela Boscov 22 abr 2021, 19h53

Nascido no Colorado e criado na zona rural do Arkansas, o diretor Lee Isaac Chung filma a fazenda comprada por Jacob (Steven Yeun) em Minari (Estados Unidos, 2020) como talvez seus pais, imigrantes coreanos, tenham visto a terra que compraram ali nos anos 80: como um lugar idílico, de natureza fértil, céus imensos e ruídos acalentadores, que aqui se misturam à belíssima trilha sonora. Jacob, sua mulher, Monica (Yeri Han), e seu casal de filhos foram da Coreia do Sul para a Califórnia — como se pode ver pelos nomes americanizados que adotaram — mas, após oito anos na Costa Oeste, decidiram tentar a vida por conta própria no interior dos Estados Unidos.

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Ou melhor, ele decidiu: onde Jacob vê promessa e realização, Monica vê trabalho de quebrar as costas e o possível naufrágio das economias de toda uma vida. Preocupada com o filho pequeno (Alan S. Kim), que tem um problema cardíaco, desapontada com o fato de que nada realmente melhorou — ela e Jacob têm de continuar trabalhando como sexadores de pintinhos em granjas alheias para sustentar as dívidas que acabaram de contrair — e com uma nostalgia da Coreia que por vezes beira o desespero, Monica nada contra o otimismo do marido e contra a rápida acomodação das crianças para lembrar, em Minari, que os sonhos dos imigrantes têm um contraponto às vezes dramático na realidade.

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Indicado a seis Oscar, Minari pode facilmente ser confundido com um desses filmes pequenos e sentimentais que às vezes caem nas graças das premiações. É nos detalhes, porém, que está a sua grandeza — na divisa que Chung trilha entre esperança e a possibilidade sempre iminente de ruína, nas brigas de casal que, seja qual for o pretexto, na verdade são discussões sobre assimilação e sobre o manejo de expectativas, na maneira como a chegada da avó (a fabulosa Youn Yuh-jung, favorita com razão ao Oscar de coadjuvante), com seu cheiro estranho, seus modos diferentes e sua bagagem cheia de comidas que as crianças não conhecem, revela nos filhos raízes já muito mais americanas do que os pais suspeitavam. Nas malas da avó vêm também as sementes de minari, uma espécie de aipo que terá grande papel simbólico no mapa minucioso que Chung faz da circunstância de ser imigrante e das fendas que, para os descendentes, se abrem entre as duas culturas e depois, de alguma maneira, se completam.

Publicado em VEJA de 28 de abril de 2021, edição nº 2735

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