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Destruição Final: O Último Refúgio é um divertido e tenso filme-catástrofe

Na trama, o impacto de um corpo celeste está prestes a extinguir a vida na Terra. É um problema para gregos e troianos

Por Isabela Boscov Atualizado em 20 nov 2020, 10h32 - Publicado em 20 nov 2020, 06h00

No princípio, parece ser o de sempre: um corpo celeste foi avistado perto da Terra, mas não há indício de que constitua uma ameaça; é tão somente um belo espetáculo a iluminar o céu. Quando o cometa (fictício) Clarke passa mais perto do Sol, porém, parte dele se evapora na forma de jatos gasosos, alterando sua trajetória para uma iminente e cataclísmica colisão com o planeta. Apenas um de seus incontáveis fragmentos já é maior do que o meteoro cujo impacto culminou na extinção dos dinossauros. Ou seja: adeus, animais, plantas — e humanidade. A não ser que se tenha a sorte de, como o engenheiro John (Gerard Butler), ter sido selecionado junto com a família para uma vaga em um bunker. Enquanto nacos incandescentes de cometa começam a chover sobre os gramados e casas do subúrbio — e alguns deles, mais parrudos, vão reduzindo a cinza cidades como Bogotá e Tóquio —, John, sua mulher, Allison (Morena Baccarin), e seu filho, Nathan (Roger Dale Floyd), enfiam o pé no acelerador, desviando dos vizinhos que imploram para que eles salvem suas crianças e tentando driblar o tráfego no caminho para o aeroporto de onde devem partir.

Mais ágil que eles, só o próprio filme: Destruição Final: O Último Refúgio (Greenland, Estados Unidos/Inglaterra, 2020), já em cartaz nos cinemas, esquiva-se de ciladas habituais, como as explicações pseudocientíficas, e também de uma armadilha nova — a politização das causas da aniquilação. Se aquecimento global e pandemias viraram tópicos divisivos, os cometas, meteoros e asteroides continuam olimpicamente acima da polarização.

O resultado é o melhor filme catástrofe desde O Dia Depois de Amanhã, de 2004. Destruição Final honra todas as convenções, mas com equilíbrio. Ainda que a reunião da família (como sempre, separada por desventuras em série) seja seu alvo final, o diretor Ric Roman Waugh não se alonga em demasia no drama; promove muita hecatombe, mas dosa o impacto de cada cena para que a soma delas não vire um amontoado de efeitos; e dá a Morena Baccarin bastante que fazer, tirando-a do papel de esposa que precisa ser salva pelo marido. Acima de tudo, Waugh distribui a tensão entre os personagens. Seu apocalipse — raridade hoje — é para todos.

Publicado em VEJA de 25 de novembro de 2020, edição nº 2714

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