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Mudança climática forçará migração de 140 milhões de pessoas até 2050

Projeção feita pelo Banco Mundial focou em fluxos internos em regiões da África Subsaariana, do sul da Ásia e da América Latina

Por Jennifer Ann Thomas - Atualizado em 8 ago 2019, 19h37 - Publicado em 8 ago 2019, 19h36

O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), órgão da ONU para divulgar o conhecimento científico sobre as alterações no meio ambiente, divulgou nesta quinta-feira, 8, um novo relatório sobre como o uso da terra contribui para o aquecimento global. Entre os dados alarmantes, um grupo de mais de 100 cientistas, de 52 países, destacou como a segurança alimentar e hídrica da população global está ameaçada. Se o mundo não passar por uma transformação radical, será cada vez mais difícil produzir o suficiente para saciar a fome de uma multidão que só tende a crescer — as estimativas preveem nada menos do que 9,7 bilhões de pessoas em 2050.

Se nada for feito até lá, a mesma década marcará quando 140 milhões de pessoas se sentirão forçadas a migrar dentro de seus países de origem por causa das mudanças climáticas. De acordo com o Banco Mundial, a África Subsaariana terá 86 milhões de migrantes climáticos internos até 2050, o sul da Ásia registrará 40 milhões de pessoas deslocadas à força e a América Latina e o Caribe verão 17 milhões de habitantes se deslocarem em seus territórios. As três regiões representam 55% da população do mundo em desenvolvimento.

Em 2018, o Brasil entrou pela primeira vez na lista dos países que mais receberam solicitações de refúgio no mundo. O motivo foi a crise política e social na Venezuela, que faz fronteira com o Brasil no estado de Roraima. Até o momento, estima-se que cerca de 170 000 venezuelanos tenham entrado no país para se estabelecerem por aqui. Ao todo, desde 2015, mais de 4 milhões de venezuelanos abandonaram o país, o que representava cerca de 12% dos residentes do vizinho sul-americano. Ao mesmo tempo, em comparação com a população do Brasil, o número é baixo. De acordo com a ONU, estrangeiros de todas as nacionalidades, não só os venezuelanos, representam apenas 0.4% dos habitantes no país.

Enquanto os governos não estabelecerem políticas públicas efetivas para a adaptação às mudanças climáticas, a tendência é que o cenário apenas piore. Na última década, os principais fluxos de migrações forçadas foram causados por guerras, como as do Afeganistão e da Síria. No ano passado, a situação política da Venezuela foi o que a colocou entre os maiores solicitantes de refúgio do mundo. Caso as nações não levem a sério os dados sobre as mudanças climáticas e as ameaças que elas representam à segurança alimentar e hídrica da população global, o aquecimento global não poupará as fronteiras e se tornará mais um motivo para os deslocamentos populacionais.

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