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Imagens de satélite mostram queimadas na Amazônia

Projeto que faz o monitoramento do desmatamento na Floresta Amazônica identificou grandes focos de calor no Mato Grosso

Por Jennifer Ann Thomas - 2 jul 2020, 13h16

O Projeto de Monitoramento da Amazônia Andina (MAAP, em inglês), iniciativa da ONG americana Amazon Conservation, faz análises em tempo real do desmatamento e das queimadas na Floresta Amazônica. No dia 28 de maio, o MAAP identificou a primeira grande queimada na Amazônia no estado do Mato Grosso, em uma área de 357 hectares que foi desmatada em julho de 2019. Desde então, o projeto encontrou outros doze eventos de focos de calor intensos – todos no Mato Grosso.

A última queimada identificada pelo satélite ocorreu no dia 29 de junho em uma área de 587 hectares e que foi desmatada em 2019. Os pesquisadores consideram como recém-desmatadas as áreas que foram abertas entre 2018 e 2020. O grupo faz as análises com as imagens do satélite Sentinel-5P, da Agência Espacial Europeia, e da Planet, empresa fornecedora de imagens de satélite.

Para definir o que seriam as grandes queimadas, o sistema detecta altos níveis de aerossóis, a suspensão de partículas que são liberadas com o fogo, e dados do solo, como anomalias de calor. De acordo com o pesquisador e diretor do MAAP, Matt Finer, “quando há muita biomassa, a geração de aerossóis é maior. É uma forma poderosa de selecionar entre as centenas e milhares de alertas de fogos por queimadas tradicionais e focar somente nos casos em que realmente há grande volume de biomassa”.

No ano passado, o projeto identificou que a maior parte das queimadas ocorreu em áreas recém-desmatadas, o que não caracterizaria um incêndio florestal acidental. “Podemos buscar as áreas de médio a grande porte que foram devastadas recentemente e incluí-las como locais com potencial para queimar neste ano. Deu certo, já localizamos doze grandes queimadas com essa estratégia”, explicou. 

Com a disponibilidade dos dados, a ideia é fazer uma parceria com a ONG brasileira Instituto Centro de Vida (ICV), que atua no Mato Grosso. A parceria ainda está sendo desenvolvida, mas o objetivo é usar os alertas do MAAP para análises, publicações e capacitação de representantes indígenas e do próprio Ministério Público. As informações permitiriam atuar mais rapidamente e de forma mais precisa. A expectativa é que o trabalho em conjunto reduza o número de queimadas.

Entre janeiro e 1º julho deste ano, o Mato Grosso registrou 6.775 focos de calor, 5% a mais do que o total do mesmo período do ano passado, com 6.450 alertas. O balanço de junho deste ano representou o maior número de queimadas na Amazônia desde 2007: foram 2.248 alertas no bioma.

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