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Frente fria histórica? Não é bem assim; entenda

Regiões serranas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina podem ter neve nos próximos dias -- estados da Amazônia devem registrar queda na temperatura

Por Jennifer Ann Thomas Atualizado em 20 ago 2020, 17h38 - Publicado em 20 ago 2020, 16h58

A notícia sobre a chegada de uma intensa massa de ar frio, confirmada pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em colaboração com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), fez com que hotéis nas regiões da Serra Gaúcha e da Serra Catarinense lotassem. A expectativa é que na madrugada de quinta-feira, 20, para a sexta-feira, 21, e durante a noite seguinte, para o sábado, 22, a queda na temperatura possa levar neve à região. A massa de ar frio também vai impactar o norte do país, alcançando os estados de Rondônia, Acre e o centro-sul do Amazonas.

Os meses de maio, junho e julho deste ano também foram marcados por frentes frias. A principal diferença entre esta e as anteriores é que ela trouxe a previsão de neve, o que causa a sensação de uma queda de temperatura mais brusca. De acordo com o coordenador-geral de Operações e Modelagem (CGOM) do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Seluchi, esta frente fria não será, necessariamente, mais intensa do que as outras. “Para ter neve, é preciso que chova enquanto ainda está frio. A característica prevista para o fim de semana é a velocidade de avanço do ar frio e a simultaneidade da chuva e das baixas temperaturas. Em termos de temperatura, é parecido com o que já tivemos antes”, explicou.

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Para que os dias com sensação mais congelante aconteçam, o ar frio precisa se deslocar rapidamente da região sul — neste caso, da região da Patagônia — e percorrer o caminho por cima da área continental, e não pelos oceanos. Nessa época do ano, o mar está mais quente do que o continente. Por causa disso, o contato entre a massa de ar com a água faz com que a frente fria perca força. A perda de energia também acontece, pouco a pouco, ao longo do deslocamento por cima da terra: por isso a velocidade é importante para manter a intensidade da temperatura.

Apesar da possibilidade de ocorrência de neve, Seluchi defende que não há nenhuma anormalidade prevista para os próximos dias. “De forma geral, em todos os anos há registro de neve em alguma localidade da região sul. Em Porto Alegre, por exemplo, a temperatura deve chegar a 5ºC. É baixa, sem dúvidas, mas não é anormal. O mesmo vale para a cidade de São Paulo, que pode registrar entre 8 e 10°C”, explicou.

Para o chefe do Centro de Análise e Previsão do Tempo do Inmet, Francisco de Assis Diniz, essa onda chamou atenção também porque vai causar uma diferença brusca na temperatura da região norte, onde a variação pode chegar a 15ºC. “As grandes ondas históricas de frio aconteceram nos anos de 55, 63, 75, 85 e 2000. Pode ser que essa se assemelhe aos registros anteriores. De qualquer maneira, no sul, há neve todos os anos. Temos que esperar para ver a intensidade”, afirmou. No ano de 1975, por exemplo, a grande geada dizimou as plantações de café no Paraná e em São Paulo. A chuva de granizo em Minas Gerais durante a madrugada de terça-feira, 18, foi causada por outra frente fria que avançou na região e não está relacionada com a massa de ar frio que pode provocar neve na região sul do país.

Independentemente da intensidade, momentos de frio intenso costumam ser acompanhados pelos questionamentos sobre a veracidade do aquecimento global. De acordo com o físico e professor da Universidade Estadual do Ceará (UECE), Alexandre de Araújo Costa, por mais que a massa de ar frio seja significativa, é pouco provável que ela implique em algum recorde que não seja local. “As temperaturas não vão chegar à escala continental. É quase certo que esse evento não terá repercussão nas médias globais de forma longa”, explicou. Até o momento, tudo indica que 2020 deve fechar o ano como o segundo mais quente da história.

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