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O peso de uma Olimpíada para lá de esquisita

Jogos de Tóquio serão abertos oficialmente sob protestos, escândalos na organização e casos de Covid-19 em alta. Clima de festa? Só nas redes dos atletas

Por Luiz Felipe Castro 22 jul 2021, 12h41

Ainda que os protagonistas façam de tudo para disfarçar, eis uma bola cantada: a 32ª edição dos Jogos Olímpicos de Verão será aberta oficialmente nesta sexta-feira, 23, em um ambiente estranho, tomado por tensão e insegurança, na capital japonesa. A Olimpíada de Tóquio 2020, adiada em um ano em razão da pandemia, será a primeira sem a presença de público. Também é inédita tamanha rejeição da população anfitriã à realização da maior festa do esporte. Com a pandemia de Covid-19 longe do fim (a metrópole asiática registrou 1.979 novos casos nesta quinta-feira, 22, o maior salto de infecções desde 15 de janeiro), cerca de 75% dos japoneses eram a favor do cancelamento, segundo pesquisas recentes. Só entre atletas e outros participantes dos Jogos, as contaminações já passam de 90 desde que a Vila Olímpica foi aberta. Como se não bastasse, a organização dos Jogos convive com uma avalanche de escândalos causados por declarações desastradas, para dizer o mínimo. Nesta manhã, o diretor artístico da abertura, Kentaro Kobayashi, foi demitido na véspera da cerimônia, em resposta ao aparecimento de um vídeo antigo em que o profissional faz piadas sobre o Holocausto. Em suma, tudo joga contra e será preciso uma força descomunal – como a que faz parecer o nadador  que “carrega” os anéis olímpicos pintados na parede, na imagem do dia – para que os japoneses consigam dar algum brilho a uma Olimpíada tão melancólica. Há no entanto, um refúgio: as redes sociais dos atletas, como o brasileiro Douglas Souza, do vôlei, que vem arrebatando milhões de seguidores mostrando os bastidores dos Jogos mais fechados de todos os tempos. No Instagram, a festa está só começando.

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