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Felipe Moura Brasil Por Blog Análises irreverentes dos fatos essenciais de política e cultura no Brasil e no resto do mundo, com base na regra de Lima Barreto: "Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo".

STF autorizou quebra de sigilos de Renan no dia 9

...depois protegeu e fortaleceu o senador, mas a Lava Jato ainda pode derrubá-lo

Por Felipe Moura Brasil Atualizado em 30 jul 2020, 23h49 - Publicado em 19 dez 2015, 01h56

renan-calheiros

O ministro Teori Zavascki, do STF, autorizou, no último dia 9, a quebra de sigilo bancário e fiscal do presidente do Senado, Renan Calheiros, no período de 2010 e 2014.

Diz o despacho, obtido por Época:

“Constata-se que em 19 de julho de 2010 ocorreram duas transferências para a campanha de José Renan Vasconcelos Calheiros, ambas no valor de R$ 200 mil perfazendo-se o total de R$ 400 mil correspondentes aos valores depositados pelas empresas que fraudulentamente venceriam a licitação em comento”.

As empresas são as do consórcio Rio Maguari, formado pelo Estaleiro Rio Maguari, pela SS Administração e pela Estre Petróleo. Elas fizeram doações para a direção estadual do PMDB de Alagoas, cujo responsável é Renan.

O pagamento citado veio do contrato de R$ 240 milhões da Transpetro para a construção de 20 comboios de barcaças.

Renan sustentou Sérgio Machado no comando da Transpetro por 12 anos (desde o início do governo Lula) e, segundo o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, o presidente do Senado recebia propina pelos contratos da subsidiária da estatal por meio do seu afilhado político.

Embora Teori Zavascki tenha poupado Renan dos mandados de busca e apreensão que atingiram na terça-feira a cúpula do PMDB, Machado foi alvo da operação, batizada de Catilinárias.

(O dono da UTC, Ricardo Pessoa, afirmou em delação que Machado lhe pediu R$ 1 milhão de propina para que “as obras andassem normalmente”.)

Mas ele não é o único afilhado de Renan suspeito de desviar dinheiro público.

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Fabrizio Neves, sócio da gestora de recursos Atlântica, é acusado de fazer ao menos cinco operações irregulares que geraram um prejuízo de R$ 61 milhões para o Postalis, o fundo de pensão dos Correios, feudo do PMDB do Senado.

Neves era ligado ao partido e aproveitava sua conexão política com Renan para desviar recursos do fundo para contas bancárias de empresas sediadas em paraísos fiscais.

Diz um trecho da reportagem:

“As evidências contra Renan são cada vez mais consistentes e graves. Não por acaso, na semana passada, após o susto de terça-feira, ele se posicionou ao lado da presidente Dilma Rousseff. Para demonstrar apoio, Renan fez duras críticas ao vice-presidente, Michel Temer, que acaba de romper com Dilma. Apesar de Renan estar encurralado por denúncias, seu apoio é valioso para Dilma, especialmente agora que o Senado ganhou poderes para arquivar o processo de impeachment. Em troca, Renan quer proteção.”

É o que este blog vem dizendo há meses.

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Para provar o contrário, o STF golpista terá de autorizar muito mais do que uma simples quebra de sigilo.

A maior chance do Brasil é que o avanço da Lava Jato constranja a Corte a mandar prendê-lo.

(* Atualização: A coluna Radar informa que “o pedido de busca e apreensão na casa de Renan Calheiros visava procurar documentos que comprovassem participação do presidente do Senado em desvios na Transpetro. Investigadores que atuam no caso consideraram frágeis e sintéticas as razões do ministro Teori Zavascki para negar a busca”. Pois é.)

Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

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