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Felipe Moura Brasil Por Blog Análises irreverentes dos fatos essenciais de política e cultura no Brasil e no resto do mundo, com base na regra de Lima Barreto: "Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo".

Sequência dos grampos deixa claro que governo correu para salvar Lula da prisão

O "ingrato" Rodrigo Janot tende a considerar legais as escutas. Chora, PT!

Por Felipe Moura Brasil Atualizado em 30 jul 2020, 23h14 - Publicado em 18 mar 2016, 13h38
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Cheguei para te entregar, querida

A simples sequência dos fatos já era suficiente para qualquer observador não intoxicado de cartas capitais, editoriais da Folha de S. Paulo, capas do jornal O Dia e demais fontes de discursos petistas concluir que o suposto governo de Dilma Rousseff correu para salvar Lula da prisão.

Os grampos das conversas entre Lula e o cientista político Alberto Carlos Almeida, Rui Falcão e Jaques Wagner, e Lula e Dilma, apenas tornaram indesmentível o óbvio.

Veja a sequência dos aúdios – a escalada do golpe:

8 de março: Almeida sugeriu a Lula (ouça no fim deste post) aceitar um ministério para escapar do juiz Sérgio Moro.

10 de março: Falcão cobrou desesperado de Wagner uma reação ao pedido de prisão preventiva de Lula, perguntou o que aconteceria se Lula fosse nomeado ministro “hoje”; e Wagner recomendou cercar o prédio de Lula e sair na porrada (com a Polícia Federal) enquanto falaria com Dilma para tomar providências;

16 de março: Dilma ofereceu um termo de posse para Lula usar “se necessário” (caso a PF fosse prendê-lo).

Retirar, portanto, o sigilo da conversa de ambos “era uma obrigação irrecusável, um dever funcional absoluto”, como disse o jurista Modesto Carvalhosa em entrevista à Folha, desmentido o próprio editorial do jornal.

“Se não o fizesse, era inclusive caso de prevaricação. A Constituição prevê que qualquer cidadão tem a obrigação de prender quem for encontrado em flagrante delito. Imagine, então, um juiz diante dessa situação, tentando interromper um crime.”

Mais:

“Dilma infringiu o artigo 85 da Constituição Federal [que trata dos crimes de responsabilidade] e violou os artigos 6o e 9o da Lei do Impeachment [crimes contra o livre exercício dos Poderes constitucionais e contra a probidade na administração]. Foi uma manobra para tirar o processo de Lula da primeira instância, um crime que começa com a nomeação, passa pelo termo de posse – como se fosse um salvo-conduto para o político – e chega à posse de fato.”

Como tuitei ainda na quarta-feira:

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Dilma, no entanto, está atacando Sérgio Moro, como se quisesse prendê-lo.

Para enganar os trouxas, ela finge ter sido grampeada, omitindo que caiu no grampo do investigado Lula fortuitamente.

É o ataque sistemático do PT às instâncias do Poder Judiciário não aparelhadas pelo lulopetismo.

“Em muitos lugares do mundo, quem grampear um presidente vai preso se não tiver autorização da Suprema Corte. Vou tomar as providências cabíveis.”

Quem vai tomar as providências cabíveis, na verdade, é Rodrigo Janot, de cuja “ingratidão” Lula reclama em um dos grampos.

“A Procuradoria-Geral da República está inclinada a considerar as escutas das conversas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como legais”, informa o Estadão.

(* Atualização: Janot diz que não vê “problema jurídico” em gravação de Dilma, informa o Valor.)

Dilma também vai prender Janot?

Baixa a bolinha, querida.

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Ouça também:
– Grampo flagra presidente do PT pedindo a ministro para frear prisão de Lula
– Grampo flagra Dilma e Lula combinando golpe!

Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

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