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Felipe Moura Brasil Por Blog Análises irreverentes dos fatos essenciais de política e cultura no Brasil e no resto do mundo, com base na regra de Lima Barreto: "Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo".

Se gritar “pega testemunha”, não fica uma de Dilma

Blog resume sessão avacalhada por Lewandowski com decisão autoritária

Por Felipe Moura Brasil Atualizado em 30 jul 2020, 22h01 - Publicado em 25 ago 2016, 19h26

Cobertura em tuitadas da sessão de julgamento de Dilma Rousseff na parte da tarde desta quinta-feira (25):

– Cardozo insiste em mimimi contra Júlio Marcelo, como se os méritos dele em apontar ilegalidades o impedissem de explicá-las como testemunha.

– Cardozo distorce post de Julio Marcelo na internet sobre temas da área do procurador, que já refutou acusação de Vanessa sobre militância na comissão.

– Janaína Paschoal: Acho muito grave que colega (Cardozo) faça afirmação ferindo honra da testemunha e dos autores do pedido de impeachment.

– Janaína Paschoal: “Se essa visão prosperar, nenhum PM que faça prisão em flagrante poderá ser testemunha.” O mesmo sobre auditores fiscais.

– Janaína Paschoal refuta Cardozo e se diz cansada de mentiras. Cardozo finge ter feito só perguntinha inocente, mas fez acusações mentirosas.

– Julio Marcelo repete o que disse no vídeo que incluí no último post já prevendo a repetição das acusações mentirosas da defesa de Dilma. Considerou saudável sociedade participar do debate sobre contas públicas.

– Julio Marcelo diz que debate questões em público para que a sociedade não ouça apenas as versões de advogados. Cutucada elegante em Cardozo.

– Cássio Cunha Lima aponta artimanha de Gleisi Hoffmann de pedir palavra “pela ordem” para indagar “de má-fé” testemunha.

– Lewandowski cai na distorção de Cardozo e Gleisi sobre “convocação” de Julio Marcelo a protesto e o rebaixa de testemunha a informante. Podre.

– Como informante, a fala de Júlio Marcelo não vale como prova; e PT fingirá que todo o trabalho técnico dele, que partido não consegue refutar, é ação de militante.

– Lewandowski deu munição ao filme do PT e a novos esperneios de Cardozo contra processo, mas Julio Marcelo virar “informante” não muda votos.

– Cardozo questionará processo alegando que o “suspeito” Júlio Marcelo depôs como testemunha nas comissões. Embora sua decisão obviamente não retroaja, Lewandowski reforçou o choro eterno.

– Bancada da Chupeta discute se deve ou não fazer perguntas a Júlio Marcelo após ele virar só informante. Traduzindo: discute o que fica melhor no filme.

– Janaína esclarece que Julio Marcelo não participou de ato e cobra que se use contra testemunhas do PT critério para rebaixá-lo a informante. Exato.

– Se Lewandowski usar contra testemunhas do PT critério de rebaixamento a informante usado contra Julio Marcelo, restará alguma?

– Testemunha de Dilma, Ricardo Lodi assinou manifesto contra “tentativa de retirar a Presidente da República de seu cargo”. E aí, Lewandowski?

– Lewandowski rebaixou Julio Marcelo a informante alegando convocação a ato por rejeição de contas. Vai rebaixar o militante Lodi?

Lodi protesto

– Percorri Facebook de Ricardo Lodi, testemunha de Dilma, tirando prints, inclusive dos blogs sujos compartilhados e da campanha de 2014. Defendeu Dilma até do nocaute no debate do SBT.Lodi 2014

– Lodi também tem procuração para para “representar e defender a outorgante” Dilma Rousseff em processo administrativo no TCU. Dá para rebaixar para mais abaixo que informante?

– A ex-secretária de Orçamento Federal Esther Dwek e o professor da Unicamp (e, oh surpresa!, editor da Carta Capital) Luiz Gonzaga Belluzzo, testemunhas de Dilma, assinaram manifesto contra impeachment que pedia a Lewandowski para “sustar o golpe em curso no Brasil”. E aí, Lewandowski?

– Só para registrar: Lewandowski nem examinou o print do post de Julio Marcelo sobre o tal ato pela rejeição das contas de Dilma. Decisão foi autoritária e grotesca.

– Eis o professor esquerdista de Direito da UFRJ Geraldo Prado, outra testemunha “isenta” de Dilma. E aí, Lewandowski?

Geraldo Prado testemunha Dilma

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– Além de declarar voto em Dilma na campanha de 2014, Geraldo Prado (este, sim) CONVOCOU o público para ato de lançamento de livro contra o “golpe”.Geraldo Prado convida

– O militante Geraldo Prado também convocou seus pares para outro ato contra o “golpe” que levou o nome de “Tribunal Internacional da Democracia”. Participação de quem? Ricardo Lodi.

Prado e Lodi

– Geraldo Prado ainda estimulou os atos de “Volta Dilma” e “Fora Temer” com cartazes na Rio-2016:

geraldo rio

– Jornais e TVs reproduzem fala destrambelhada e irresponsável de Lewandowski que faz parecer que Julio Marcelo participou de ato pró-impeachment. MENTIRA.

– Repórteres sem amor à verdade, que escrevem com tédio do emprego, urgência de clique, ou pura ideologia, legitimam mentiras que ferem honra.

– Julio Marcelo: “Em 2010, eu votei em Dilma, então não sou militante. Certamente não poderia votar depois de tudo que ela fez em 2013 e 14.”

– Paulo Paim distorce declaração serena de Julio Marcelo, que se limitou a responder questão sobre desonestidade indicando ilícitos de Dilma.

– Paulo Paim: “Dilma é desonesta?” Julio Marcelo: “Praticou ilícitos graves, limito-me a este campo”. Paim: “É bom ouvir que Dilma é honesta.”

– PT chama crime penal e crime de responsabilidade só de crime para parecer que Dilma, por não ter cometido o 1º, não cometeu o 2º. É cinismo.

– Julio Marcelo: “O dolo grita nos autos.” Atos contidos na denúncia “não são feitos sem um comando e quem detém o comando é a presidente da República”.

– Muito bem, Janaína. Para cima do Lewandowski! Ela lê autos com declarações de Julio Marcelo mal interpretadas pelo presidente do STF e cobra esclarecimento sobre a (absurda) decisão.

– Cardozo finge que Lewandowski foi claríssimo (não foi) e afirma que Janaína está antecipando embargos. Lewandowski vai chamá-lo de “nosso advogado” de novo?

– Lewandowski lê artigo que veda manifestações políticas de membros de MP, mas ignora COMO POST DE JULIO MARCELO SE ENQUADRA NELE. Ignora o post.

– Lewandowski diz que entendeu que Julio Marcelo confessou ter participado indiretamente do ato (o que é mentira), SEM EXAMINAR O POST.

– Lewandowski, talvez por ser de outra época, não “entende” que compartilhar notícia não quer dizer CONVOCAR ao ato que ela informa haver.

– Obviamente, Lewandowski também pode fingir não ter entendido o post justamente para legitimar a decisão autoritária que já trouxe preparada (como deixou explícito).

– Caiado mostra que Esther Dwek, testemunha de Dilma, virou assessora parlamentar de Gleisi (com salário de R$ 19 mil) e, portanto, não tem imparcialidade.

– Lewandowski conseguiu avacalhar o processo com o rebaixamento de Julio Marcelo a informante.

– Lewandowski diz que tem fundamento questão de ordem de Caiado, mas que vai resolver quando testemunha for depor (se PT não trocá-la antes). Gleisi comprou a testemunha?

– Julio Marcelo rebate mimimi de Humberto Costa: “A verdade se defende sozinha, basta expô-la. O senhor me atribui poder sobre TCU e Senado que não tenho. Só exponho fatos.”

– Finda a sessão, Caiado diz à TV Senado que todas as testemunhas de Dilma são militantes e garante que nada disso vai alterar o resultado da votação pelo impeachment. Amém.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

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