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Felipe Moura Brasil Por Blog Análises irreverentes dos fatos essenciais de política e cultura no Brasil e no resto do mundo, com base na regra de Lima Barreto: "Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo".

Os argumentos furados dos críticos de Janot

Os críticos de Rodrigo Janot, o procurador-geral da República que enviou ao Supremo Tribunal Federal a lista de políticos suspeitos de envolvimento no petrolão sem incluir Lula e Dilma (entenda aqui e aqui), insistem em linhas de argumentação desconectada dos fatos: 1) Ironizam a presença em massa de 32 políticos do PP entre os investigados, como […]

Por Felipe Moura Brasil Atualizado em 31 jul 2020, 01h56 - Publicado em 9 mar 2015, 17h40

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Os críticos de Rodrigo Janot, o procurador-geral da República que enviou ao Supremo Tribunal Federal a lista de políticos suspeitos de envolvimento no petrolão sem incluir Lula e Dilma (entenda aqui e aqui), insistem em linhas de argumentação desconectada dos fatos:

1) Ironizam a presença em massa de 32 políticos do PP entre os investigados, como se o pouco conhecido partido da base aliada mandasse no país.

O fato: A lista foi baseada essencialmente nas delações premiadas do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef. O primeiro operou para o PP e, depois, para o PMDB, como consta nos depoimentos reproduzidos na petição de Janot. Youssef teve atuação mais restrita ao PP, de modo que foi natural terem surgido mais nomes de políticos ligados a esse partido. Mas a expectativa dos procuradores é que a inclusão do tesoureiro do PT João Vaccari Neto no inquérito permita novas descobertas, como expus aqui.

“Considerando que o papel dos operadores é justamente fazer o elo entre os diversos integrantes da quadrilha, é fundamental que tais profissionais do crime também sejam investigados no presente feito”, escreveu Janot ao incluir o “Moch” junto com Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, operador do PMDB.

2) Tomam o recado de Ricardo Pessoa sobre a doação de 30 milhões de reais da UTC a campanhas de Dilma e do PT em 2014 como motivo forte o bastante para a inclusão da presidente, que assim teria tido um envolvimento durante seu mandato.

O fato (como expliquei em primeira mão, antes de sair a lista): Ricardo Pessoa não delatou Dilma, apenas permitiu que seus advogados passassem recado ao governo e ao PT, por meio da revista VEJA. Para que Dilma constasse da lista de Janot, por crime cometido no exercício da Presidência da República e relacionado ao cargo que ocupa, as denúncias de Pessoa teriam de ser, além de substanciais, feitas em depoimento ao juiz Sérgio Moro e aos procuradores da Operação Lava Jato, o que não aconteceu AINDA. Usar recado de Pessoa contra Dilma como indício obtido em delação, a fim de crucificar Janot por excluí-la, é cega teimosia.

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A propósito:

A transfiguração da camada intelectual da sociedade em porta-voz de grupos militantes nas últimas décadas transformou quase todo o debate público em gritaria de adversários políticos, o que acentuou a necessidade dos brasileiros de julgar a decisão das pessoas com base na desconfiança que guardam delas, não nos fatos verificáveis que lhe serviram de base.

Se Janot é ou não um petista mancomunado com o governo, isto em nada muda que ele agiu dentro da lei dessa vez, de acordo com os indícios que apareceram nos depoimentos iniciais.

Atropelar a lei é coisa do PT. Quem quiser tirá-lo do poder por essa via, julgando-se imbuído de boas intenções, é muito mais parecido com seus integrantes do que gostaria de admitir.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://www.veja.com/felipemourabrasil

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