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O trote da USP e o “rolezinho” são diferentes, mas Barbara Gancia e Carta Capital… hummm…

AVISO: O evento da FEA-USP no Eldorado é anual, como corrigiu um uspiano citado abaixo, e não semestral, como eu havia escrito, o que – não sei se ele notou – apenas reforça a minha tese de que este evento esporádico e organizado está muito longe de ser o tumulto frequente dos “rolezinhos”. Agradeço-lhe por isso. O detalhe já está corrigido.

Captura de tela 2014-01-21 às 13.00.34

Transcrevo a enquete da Carta Capital sobre o “rolezinho”:
 
O que você acha da proibição, determinada por alguns juízes de São Paulo, aos ‘rolezinhos’ aos shoppings promovidos pelos jovens da periferia?
 
– É uma medida necessária. Shopping é um local privado de passeio e compras, e não de multidões de jovens dispostos a causar transtorno aos demais frequentadores (6188)
 
– A decisão é discriminatória e denota o racismo do País em relação à sua própria periferia. Os frequentadores e lojistas não demonstram a mesma preocupação com a presença em grupo dos filhos da elite (2483)
 
Em outras palavras:
 
2 + 2 = 4
 
…ou 2 + 2 = 5, como dizem os esquerdistas, muitos dos quais escrevem para esta mesma Carta Capital, transformando sua ideologia até em opção de enquete?
 
6.188 pessoas sabem que 2 + 2 = 4.
 
2.483 militantes e “idiotas úteis” votam no 5.
 
Só faltou um “justifique sua resposta” que exigisse a demonstração de quando os tais “filhos da elite” tiveram uma “presença em grupo” equivalente, em proporções e transtornos, à que determinados tipos de “jovens da periferia”, com suas roupas de marca compradas no shopping, e sendo um monte deles brancos também, tiveram no “rolezinho”.
 
Ah, diria a colunista Barbara Gancia, da Folha, “existem casos de estudantes brancos, de ‘bixos’ (pessoal da FEA no Eldorado, está no YouTube) que fazem fuzarca, mas que ninguém chama polícia ou entra em pânico com isso”. Claro que não chama. Claro que não entra em pânico. Mas o motivo nada tem a ver com os jovens da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo serem brancos. O motivo é que, ao contrário do rolezinho, não há registro de tumulto e correria, muito menos de furtos.

Trata-se de um evento anual com almoço e breve cantoria, que é parte de uma programação com dois outros eventos: o “pedágio” na avenida Brigadeiro Faria Lima e a “Cervejada do Imperador”: “É um dia bem tradicional na semana de recepção [dos bixos/calouros]”, declarou o aluno de contabilidade Luiz Araújo ao UOL. Fuzarca, portanto, só no sentido original de “farra” e “folia”, como se espera de um trote, não no informal de “confusão” e “problemas”. O máximo que ocorre é que “apenas alguns estudantes se animam e sobem nas mesas e os seguranças na hora, educadamente, pedem que desçam”, como afirmou o aluno de economia Bruno Miller.
 
O shopping Eldorado teve de explicar o óbvio, na matéria cujo conteúdo, como na Folha, desmente o título “Alunos da FEA-USP fazem ‘rolezinho’ em shopping desde 2007“: “o objetivo e a organização deste encontro é bem diferente dos rolezinhos. Os alunos vêm ao shopping, almoçam, e depois se concentram para a comemoração, cantando gritos de guerra da universidade por alguns minutos, de forma organizada, o que não causa tumulto ou desordem”. O shopping conhece o “evento” e sabe que a “tumultuada” não é sua intenção: “Na chegada do pessoal, nossa segurança identifica os líderes e passa algumas orientações para não incomodar os demais convidados do shopping. Depois, acompanha e monitora a ação.” No dia que causar tumulto ou chegar perto disso, ou se virar uma modinha que pode crescer e ser marcada repetidas vezes, como o “rolé”, a ação será proibida também.

Mesmo assim, o próprio centro acadêmico da USP aderiu ao rolezinho ideológico à moda Gancia: “Se há de fato uma preocupação com grandes aglomerações, a restrição deveria se dar para todos igualmente – o que não ocorreu. Se os eventos são similares, o tratamento deve ser o mesmo, independentemente de quem os frequenta”. Acontece que o grau de similaridade dos eventos é mínimo. O trote da USP é quase tão similar a um “rolezinho” quanto jogadores com certo controle de embaixadinha o são a peladeiros chutando bola (e no time sem camisa…). Os primeiros viram até uma atração no shopping. Os segundos, um sinal de risco, é claro.

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Sem contar que o “rolezinho” aglomerou 6.000 jovens no Itaquera, quase o dobro do total geral de 3.101 alunos de graduação da FEA, dos quais apenas uma parte comparece ao trote. E se esta parte cabe razoavelmente nos restaurantes, é porque não é tão numerosa assim, não é?
 
Eu não acho, em tese, que alunos de faculdade alguma devam realizar suas “fuzarcas” – ou embaixadinhas – em shoppings, ainda que de maneira organizada, mas equiparar o trote uspiano ao “rolezinho” e ainda justificar a diferença de reação pelo viés da cor da pele, estimulando mais uma vez o ódio racial, é de uma sem-vergonhice, de uma perda do senso das proporções, a que só cabeças marxistas e gramscianas – como se produzem aos montes na própria USP – podem se prestar. Daqui a pouco dirão que cantar “parabéns pra você” em mesa de restaurante também é “rolezinho” e precisa ser proibido por lei.
 
Ideologia de esquerda é isso: uma opção de múltipla-escolha que jamais exigiu de seus devotos justificativas baseadas na realidade dos fatos para marcá-la.
 
Se você está com eles, você é bonzinho; se não está, é no mínimo racista. “Racista” daquele tipo execrável que zela pela ordem, como a maioria vitoriosa da enquete de Carta Capital.

Como quase disse Joãozinho Trinta:
 
Povo gosta é de educação e ordem. Quem gosta de “rolezinho” e “rolezão” é intelectual de esquerda.
 
Felipe Moura Brasil – https://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil
 
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Leia também:
O rolé dos “parça” e o dos “companhêru”
O rolezinho de esquerda em três notas
Com quantos amigos se faz um “rolezinho”

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  1. Comentado por:

    Antimarxista

    Felipe,
    Barbara Gancia devia se espelhar em gente como você antes de sair propagando asneiras aos quatro ventos.
    Parabéns! Tocou no ponto nevrálgico. O que se pretende é incitar ódio racial onde não tem.

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  2. Comentado por:

    André

    Esquerdista só gosta de democracia quando a maioria vota à favor das causas deles.
    Plebiscito do desarmamento? Ignorado.
    Se tivesse plebiscito sobre redução da maioridade penal também seria ignorado.
    Assim como muitos outros.

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  3. Comentado por:

    Zé Ninguém

    Não sei não, isso ai vai virar um brigadeirão, vão misturar tudo, role com baile funk, saque , arrastão, protestos, diversão, e no auge da confusão quem é que não lembra da
    – Tomada do Shopping Westgate por terroristas islâmicos no Quênia ??

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  4. Comentado por:

    Caio Frascino Cassaro

    Prezado Felipe:
    Tropecei em um texto de Bárbara Gancia, a Rosa Luxemburgo do Jardim Europa, que mostra exatamente o que ela é: uma representante legítima da esquerda caviar, talvez um de seus maiores ícones aqui na Terra de Vera Cruz. Leia e me diga se não é sensacional:
    “ASSIM QUE A morte de Liz Taylor foi anunciada, Raffaella Perucchi, artista e amiga querida, postou uma pergunta no meu Facebook: “Sua mãe ainda tem aquele “foulard” que a Liz deu a ela?”
    Liz Taylor foi a maior de todas (embora Ava Gardner tenha sido mais bonita), símbolo absoluto do cinema do início ao fim da carreira.
    As safiras que tinha no lugar dos olhos tornavam impossível qualquer conversa objetiva com ela, isso eu pude constatar pessoalmente. Sua voz era hipnotizante, sua simpatia convidava a uma festa, a mulher era um colosso. Mesmo pré-adolescente eu já conseguia sentir o peso da sua sensualidade.
    Respondendo à pergunta da Raffaella, sim, minha mãe ainda tem o lenço de seda da Hermès que ganhou de Liz Taylor, nas cores branca, azul, bege e amarela. Acho que vou pedir que ela o deixe em testamento e um dia, quem sabe, eu não o converta em doação na luta contra a Aids, isso seria chique, que tal?
    Nas primeiras vezes que cruzei Liz Taylor, ela ainda estava com Burton. Teve uma ocasião em que minha irmã e eu presenciamos uma briga entre os dois, na porta de um restaurante chamado Olden, em Gstaad, na Suíça, onde Liz era nossa vizinha e eu passei boa parte das férias da infância.
    A cena foi um show. O dois praticamente secaram a adega do restaurante e, na hora de ir embora, trocaram catiripapos na calçada. Pena que não existisse celular para registrar o bailado.
    Richard Burton não segurou a onda. Era um beberrão, sim, mas isso não quer dizer que estivesse disposto a viver tão intensamente.”
    Separei só os trechos de maior interesse. O que será que Liz Taylor ou a própria Bárbara achariam de um “rolezinho” dentro do Olden?
    A hipocrisia dessa senhora e da sua “tchurma”, os “descolados” dos Jardins (bairros mais nobres daqui de Sampa, para os que não sabem), povo que só viaja de primeira classe, frequenta o D.O.M., o Fasano, o Epice ou o Mani, e, para aliviar as suas consciências, abraçam as causas da esquerda, tentando posar (Emir Sader diria pousar) de “mudernos”, é absolutamente patética.
    Segue o link com o texto completo.
    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2503201104.htm
    Um abraço

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  5. Comentado por:

    Francisco

    6.188 Reacionários, prova que só nos falta organização e união.

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  6. Comentado por:

    Guilherme

    Gente boa mesmo é o pessoal da FFLCH: eles só fazem “rolezinho” na própria reitoria da USP.

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  7. Comentado por:

    Valéria

    Bem que a colunista da folha – que passou vergonha com sua coluna destoando da de Pondé, e agora com mais essa – poderia ter uma experiência dentro de um shopping.
    E se na hora do chá das 5, tranqüila, sentada num “cafè” passando o caviar na torradinha, tocando “ne me quitte pas”, de repente houvesse uma invasão de uns “300 parça dos bixos do rolézinho” ouvindo funk no último volume?
    Acho que seria uma experiência e tanto! Principalmente se “vandalizassem” o foulard de seda que Liz deu à ela, vai que de repente um jovem querendo se divertir sem querer pisasse em cima…heim, será que ela mudaria de opinião?
    Será que ela procuraria pela saída à francesa ou dançaria um funk pancadão?
    Falta empirismo para esses esquerdistas “deliróides” mesmo. Só assim.
    E quem sabe virarem astrólogos!

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  8. Comentado por:

    Toninho Malvadeza

    Barbara Gancia,dando vexame de novo ?
    Ela já não se cansa de ser ridícula ?

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  9. Comentado por:

    Ana

    Não aprovo nem um nem outro.

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  10. Comentado por:

    Fabio Carioca

    Ainda bem que vc gravou a pesquisa, he he!
    Pouco custa pra eles darem uma de Pedro Abramovay, e tirá-la do site.

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