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O cinismo de Lewandowski sobre o voto de Barroso

Presidente do STF chama texto de "claro", mas é incapaz de mostrar onde esclarece dúvidas

Lewandowski Cunha

Em audiência aberta com a presença de Eduardo Cunha, Ricardo Lewandowski disse que não tinha nada a ser esclarecido, porque a decisão do STF era clara o suficiente. Disse também que o voto do ministro Luís Roberto Barroso era claro e que, se fosse lido, muitas dúvidas poderiam ser esclarecidas.

Dois embustes.

Eu vi e li o voto de Barroso na íntegra e encontrei uma porção de omissões, distorções e mentiras, como mostrei aqui e aqui (e como ainda pretendo mostrar mais neste blog). Nem o voto oral nem o escrito esclareceram as dúvidas levantadas por Gilmar Mendes na sessão plenária e por Eduardo Cunha depois.

Se de fato tivessem esclarecido, Lewandowski não teria precisado dizer que o acórdão vai dirimi-las, nem, com escárnio, que seria um exercício de “futurologia” tratar de futuros impasses na eleição das comissões permanentes na Câmara.

Lewandowski simplesmente teria respondido, por exemplo, o que acontecerá se os deputados não aprovarem em votação aberta os nomes da chapa única, definida pelas lideranças partidárias. Mas a verdade é que ele não sabe a resposta.

Por incompetência e/ou militância, os ministros deixaram uma porção de furos em seus votos que agora terão de cobrir, fingindo cinicamente que já iam fazer isto se ninguém os tivesse apontado.

Cunha apresentou ao presidente do STF uma série de questionamentos sobre o rito de impeachment que devem constar nos embargos de declaração que planeja ingressar ao fim do recesso do Judiciário, no dia 1º de fevereiro.

Lewandowski apontou que, pelo regimento, a corte tem até 60 dias desde o julgamento, que foi em 17 de dezembro, para publicar o acórdão, descontando-se o período de recesso, de modo que os ministros terão tempo de sobra para rabiscar um pouco mais as leis que inventaram.

Mesmo assim, “os ministros ficaram incomodados”, como os jornais insistem em noticiar, com a forma como ocorreu o pedido da audiência”, anunciado por Cunha à imprensa assim que o Supremo encerrou o julgamento na semana passada.

Incomodados, obviamente, estamos nós, brasileiros, com o espetáculo de cinismo e arrogância dos ministros do STF.

Mas é compreensível o “incômodo” de Lewandowski: vai ver, ele preferia que os furos da suprema decisão fossem apontados em reunião secreta, como a que teve com Dilma em Portugal. Assim, o vexame do Supremo não seria público.

http://videos.abril.com.br/veja/id/a870630a13ddb07c6e9d0f429823fe4f?

Felipe Moura Brasil ⎯ https://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

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