Felipe Moura Brasil Por Blog Análises irreverentes dos fatos essenciais de política e cultura no Brasil e no resto do mundo, com base na regra de Lima Barreto: "Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo".

Luiza Brunet e uma noite para a posteridade

Por Felipe Moura Brasil - Atualizado em 16 fev 2017, 12h41 - Publicado em 13 dez 2013, 15h52

[Voltei. A NET finalmente resolveu o problema da minha conexão, após uns dias adoráveis de brigas e ameaças por telefone. Àqueles que deixaram comentários dizendo que preciso postar mais, como se eu pudesse fazê-lo com o computador travando e como se a VEJA tivesse me contratado para produzir o volume diário do Reinaldo, aqui vai o meu muito obrigado: eu sei que vocês me amam, e eu também morro de saudade de vocês.]
 
Leio na Folha a notícia mais importante da semana:
 
Em biografia, Luiza Brunet descreve noite de sexo com amiga
 
Luiza Brunet, 51, revelou que já teve uma experiência homossexual.
 
Foi com uma amiga durante uma viagem a trabalho em 1979. O fato é descrito na autobiografia que ela lançou recentemente pela editora Sextante.
 
“Dividia o quarto com uma modelo que se tornou minha amiga e não gostava de badalação”, contou. “Certa vez, acordei no meio da noite. Ela estava na minha cama e me abraçava por trás.”
 
“Senti seu perfume e, em seguida, seu beijo. Fiquei extremamente confusa: eu jamais a havia considerado além de amiga”, disse. “Nunca passara pela minha cabeça que pudesse haver, da parte dela, um interesse maior. Eu me deixei levar.
 
“O problema foi que, no dia seguinte, soube que não sentia por ela o que ela sentia por mim”, afirmou. “Na minha cabeça, a coisa tinha acontecido uma vez e não se repetiria. Para ela, aquilo poderia significar o início de um relacionamento. Dei um jeito de mudar de quarto ainda no meio da viagem.”
 
(…)
 
Comento:
 
Luiza Brunet nasceu em 24 de maio de 1962. Em 1979, a depender do dia exato do ocorrido, a então modelo tinha 16 ou 17 anos. Ela se deixou levar pela amiga que a seduziu. Isso faz dela homossexual? Não. Bissexual? Não necessariamente. Luiza Brunet pode ser uma heterossexual que teve na adolescência uma experiência homossexual. Existe isso? Existe. Isto é óbvio? É.
 
Então por que estou falando a respeito?
 
Porque, no Brasil dos slogans revolucionários, o senso de nuances se perdeu.
 
A ideia de que os gays nascem gays faz com que “idiotas úteis” à causa política LGBT partam inconscientemente da premissa de que héteros e gays, por terem teoricamente nascido assim ou assado, sabem o que são desde a mais tenra idade, e não estão sujeitos a dúvidas, conflitos, neuroses, desejos, seduções e manipulações que os levem a ter uma ou mais experiências não condizentes à sua autêntica orientação – e até mesmo à sua idade.
 
Vários exemplos disso vieram nos comentários do meu texto “A matemática da suruba“. O mais emblemático se refere às palavras do Padre Paulo Ricardo sobre o que serão das escolas, uma vez introduzida por lei a ideologia de gênero:
 
“Fábrica de pessoas homossexuais?????? Só pode ser brincadeira, né? As pessoas não são homossexuais porque querem, simplesmente nascem assim! Porque alguém quereria ir contra a corrente? Só para ser alvo de chacotas, preconceito na família e na sociedade? (…) É impressionante!!!”
 
É mesmo impressionante com quantas exclamações se faz um ataque histérico. As pessoas, ainda mais quando crianças, podem ser INDUZIDAS a fazer o que não fariam espontaneamente – e, se o “leitor” tivesse lido o livro que indiquei no texto, descobriria algumas dezenas de técnicas desenvolvidas para este fim, algumas delas provavelmente usadas nele mesmo.
 
Em 1995, Thomas Sowell já apontava o resultado da educação sexual adotada em metade das escolas americanas: em quinze anos, aumentou em 350% a incidência de doenças venéreas entre as estudantes, e os casos de gravidez passaram de 68 por mil em 1970 para 96 por mil em 1985, enquanto o número de abortos ultrapassava o de nascimentos. O motivo é óbvio: quanto mais a molecada ouve falar de sexo, mais se interessa em praticá-lo.
 
Aos 15 anos, segundo pesquisa do IBGE, 30% dos adolescentes brasileiros já transaram, sendo 24% sem camisinha na última vez.
 
Promover nas escolas, para além da educação sexual, a ideia de que as crianças precisam se libertar da ditadura do próprio corpo, do “sexismo”, e escolher suas identidades, é agravar o desastre da sexualidade precoce com a variedade das opções práticas, tornando-as muito mais sujeitas a experiências homossexuais (inclusive como vítimas voluntárias de pedofilia) do que Luiza Brunet naquela noite de 1979. Elas não vão apenas se deixar levar por um desejo não genuíno ou passageiro. Elas vão levar, também.
 
Outro leitor escreveu:
 
(…) Façam o seguinte exercício: Escolha sentir tesão ou atração por uma pessoa do mesmo sexo. Difícil né??? Pois é… não é tão fácil se tornar homossexual. (…)
 
Mas quem disse que é preciso sentir tesão ou atração verdadeiros para beijar ou transar com alguém? Quem disse que é preciso se tornar homossexual de verdade para fazer o mesmo com alguém do mesmo sexo? Isto é ignorar distinções elementares.
 
“Como toda e qualquer outra conduta sexual humana, o homossexualismo, em toda a diversidade das condutas que o termo encobre, nem sempre emana de um desejo sexual genuíno. Pode, em muitos casos, ser uma camuflagem, uma válvula de escape para conflitos emocionais de outra ordem, até mesmo alheios à vida sexual. É possível e obrigatório, nesse caso, falar de falso homossexualismo, de homossexualismo neurótico ou mesmo psicótico, para distingui-lo do homossexualismo normal, nascido de um autêntico e direto impulso erótico”, como escreveu Olavo de Carvalho no capítulo Gayzismo do nosso best seller.
 
É evidente que a ideologia de gênero, com a naturalização de toda e qualquer conduta sexual nas escolas, será um estímulo para o homossexualismo neurótico ou psicótico, o que prejudicará, no mínimo, a saúde mental dos alunos, os quais provavelmente se sentirão (ou serão mesmo) impedidos depois de investigar e remover seus conflitos profundos em sessões de psicoterapia em função da confusão criada pela campanha midiática contra a “cura gay”.
 
Antonio Gramsci, o ideólogo comunista italiano que inventou o Brasil revolucionário de hoje, insistia na importância da escola primária, porque, quanto mais novas as criancinhas, mais desarmadas intelectualmente para resistir ao adestramento ideológico. Foi ele que ensinou às esquerdas a trocar a luta armada pela revolução cultural para chegar ao poder. Ele sabia que seduzir o público era melhor que confrontar governos.
 
Ao fomentar o homossexualismo precoce e/ou neurótico nas escolas por um lado, depois de constranger o homossexual de qualquer idade que precise tratar suas neuroses por outro, o movimento gayzista, tão bem representado pelo gramsciano confesso Jean Wyllys, conseguirá aprisionar a vida dos estudantes naquela mesma célebre página da biografia de Luiza Brunet. “Fiquei extremamente confusa”, escreveu ela.
 
Pois é. A confusão mental é o princípio da docilidade.
 
Felipe Moura Brasil – https://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

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