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Felipe Moura Brasil Por Blog Análises irreverentes dos fatos essenciais de política e cultura no Brasil e no resto do mundo, com base na regra de Lima Barreto: "Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo".

Entrevista com a Odebrecht (3) – O fim do silêncio

Continuação das entrevistas 1 (“Se a Odebrecht cair, Lula também cairá?“) e 2 (“Propina e lula frita“): – Hoje o senhor nem se preocupe que eu vim aqui só para comer. – A Odebrecht nega. – Nem vou perturbá-lo com perguntas, porque sei que o senhor só vai responder que “a Odebrecht nega” o tempo todo. – A Odebrecht nega. – Não […]

Por Felipe Moura Brasil Atualizado em 31 jul 2020, 01h42 - Publicado em 2 abr 2015, 14h21

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Continuação das entrevistas 1 (“Se a Odebrecht cair, Lula também cairá?“) e 2 (“Propina e lula frita“):

– Hoje o senhor nem se preocupe que eu vim aqui só para comer.

– A Odebrecht nega.

– Nem vou perturbá-lo com perguntas, porque sei que o senhor só vai responder que “a Odebrecht nega” o tempo todo.

– A Odebrecht nega.

– Não se preocupe. Eu adoro comer essa lulinha fri…

– A Odebrecht nega.

– Mas agora que a barra está sujando para a empresa do senhor também nos Estados Unidos, confesso que imaginei o senhor dizendo “Odebrecht denies”.

– …

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–  É até engraçado: disseram na redação que a Braskem, sociedade entre a Odebrecht e Petrobras, tem também ADRs negociadas na Bolsa de Nova York. Você acredita que eu nem sabia o que eram ADRs?

– …

– Então fui ver no Google: “American Depositary Receipt”, a tal da ADR, “é um certificado de depósito emitido por bancos norte-americanos, representativos de ações de empresas sediadas fora dos Estados Unidos”.

– …

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– Por obrigação com o mercado de ações americano, além do brasileiro, qualquer empresa daria explicações sobre o pagamento de propinas, porque, sabe como é, mentir nos EUA é mais complicado, mas deixa quieto. A lulinha está gostosa, vamos dividir mais uma?

– A Braskem…

– Eu sei, senhor. A Braskem também nega. Vai um molho rosé?

– …A Braskem, à luz das alegações de supostos pagamentos indevidos para seu favorecimento em contratos celebrados com a Petrobras, admite à CVM que deu início a um procedimento de investigação interna.

– Jesus! Onde está meu gravador?

– Informa também que contratou escritórios de advocacia no Brasil e nos EUA com reconhecida experiência em casos similares para conduzir a investigação.

– Santo Deus! Um minuto. Cadê o botão? Aqui! O senhor pode repetir, por favor?

– A Odebrecht nega.

– Mas senhor! “À luz das alegações…”?

– A Braskem nega.

– Se eu chamar um americano, o senhor responde?

– …

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Felipe Moura Brasil – http://www.veja.com/felipemourabrasil

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