Clique e assine a partir de 9,90/mês
Felipe Moura Brasil Por Blog Análises irreverentes dos fatos essenciais de política e cultura no Brasil e no resto do mundo, com base na regra de Lima Barreto: "Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo".

Dilma já escolheu quem culpar pelo próprio crime

A culpa é de Dilma Rousseff, ela coloca em quiser. Segundo petistas ouvidos por Vera Magalhães, da Folha, Dilma poderá dizer ao TCU que foi enganada pelo ex-secretário do Tesouro Arno Augustin, “que teria mandado brasa em desonerações, pedaladas, reduções de tarifa e outras mandracarias fiscais sem comunicar à chefe a real situação das contas do […]

Por Felipe Moura Brasil - Atualizado em 11 fev 2017, 10h33 - Publicado em 18 jun 2015, 06h42

Dilma AugustinA culpa é de Dilma Rousseff, ela coloca em quiser.

Segundo petistas ouvidos por Vera Magalhães, da Folha, Dilma poderá dizer ao TCU que foi enganada pelo ex-secretário do Tesouro Arno Augustin, “que teria mandado brasa em desonerações, pedaladas, reduções de tarifa e outras mandracarias fiscais sem comunicar à chefe a real situação das contas do governo”.

Dilma já utilizara o mesmo expediente ao culpar Nestor Cerveró pela compra da refinaria de Pasadena, aprovada pelo Conselho de Administração da Petrobras presidido por ela na ocasião, alegando que o então diretor da área internacional, hoje preso pela Lava Jato, omitiu cláusulas que mostravam que se tratava de um mau negócio. (De 792 milhões de dólares de prejuízo.)

Como escreve Vera, no entanto:

Continua após a publicidade

“Quem ditava a política econômica da dupla Guido Mantega e Arno Augustin era a própria Dilma. Foi ela quem urdiu a redução da conta de luz, cantada em prosa, verso e filmes de João Santana como um feito da gestão petista antes de se mostrar um desastre para a economia. O mesmo com as desonerações a granel, o Fies turbinado e outras mágicas com claros propósitos eleitorais. Mantega e Arno não eram candidatos à reeleição – pelo contrário, já estavam demitidos antes do pleito.

Sem esse supertrunfo, restam dois caminhos a Dilma: retocar a maquiagem dos números rejeitados ou admitir os erros e prometer mudar procedimentos daqui para a frente.

Em ambos os casos, o TCU não tem outro caminho a não ser recomendar a rejeição das contas de 2014, sob risco de se desmoralizar se não o fizer.”

De fato, as três opções de Dilma são apenas pedaladas de cinismo. E como escrevi aqui: promover a impunidade é tratar o crime como “erro” e aceitar a promessa de que ele não irá se repetir.

Continua após a publicidade

Tomem vergonha, ministros. O TCU não pode tomar no TCU.

Felipe Moura Brasil ⎯ https://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

Siga no Twitter, no Facebook e na Fan Page.

Publicidade