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Rapazes, com AK-47

Boa parte dos meios de comunicação brasileiros está em guerra contra a polícia - e a favor das ONGs, OAB, PCC e outros grupos de defesa de criminosos

É muito provável que a qualquer hora dessas, mais cedo do que mais tarde, você leia, ouça ou veja nos órgãos de comunicação, uma notícia mais ou menos assim:

Policiais de um destacamento da PM do Rio de Janeiro mataram a tiros ontem à tarde, na comunidade da Rocinha, dois rapazes de 25 e 27 anos que supostamente portavam fuzis A-47 de assalto, elevando para 1.234 o número de moradores mortos este ano pela polícia carioca. Verificou-se após a chacina que os jovens estavam segurando os fuzis quando foram executados, depois de fazer 54 disparos na direção da patrulha da PM, mas não há provas de que as armas fossem de sua propriedade, ou que houvesse de sua parte a intenção de ferir os policiais ao atirarem contra eles.

Segundo a Vigilância Internacional do Direito à Vida, organização não-governamental ligada à ONU, à seção carioca da OAB e à arquidiocese metropolitana, os dois rapazes vêm se juntar ao número recorde de vítimas da violência policial registrado no Rio no ano de 2017. “Mais uma vez, a PM apareceu diante dos jovens da comunidade de uma forma claramente agressiva e ameaçadora,” disse um porta-voz da VIDA. “Portavam armas de fogo, algemas e coletes à prova de bala, numa atitude de intimidação e aberto desafio. Os dois rapazes ficaram assustados com a provocação, e abriram fogo para se defender, temendo serem baleados se nada fizessem. Acabaram sendo friamente abatidos.”

Ainda segundo o porta-voz da ONG, testemunhas presentes afirmaram que os policiais não ofereceram nenhum incentivo para os jovens se renderem, não chegando sequer a dar-lhes voz de prisão na forma da lei. “Mais uma vez a PM não dá às pessoas a oportunidade de um diálogo, ou de uma solução pacífica e negociada”, disse ele. “A qualquer tiro de advertência que recebem de algum suspeito, já vão disparando tudo o que têm. É natural, diante da conhecida e generalizada violência da polícia, que os cidadãos das comunidades tentem se proteger. O que não se pode mais tolerar é esse genocídio que a PM pratica no Rio”.

A OAB lançou nota lamentando que “a polícia, com o apoio do governo do Estado, aboliu o direito de legítima defesa para os pobres desta cidade.” A CNBB, através de um dos seus bispos, afirmou que “a execução dos dois rapazes da Rocinha vai deixar ainda mais indignados os jovens que não recebem nenhum apoio da sociedade e são obrigados a infringir a lei para poderem sobreviver”. Diante disso, concluiu o prelado católico, “é inevitável, e até compreensível, que as pessoas matem policiais como retribuição. Não somos a favor do derramamento de sangue e nada temos contra as famílias dos policiais mortos, mas entendemos a revolta da população. O povo não aguenta mais”.

Seria bom se o texto acima fosse um exagero. Infelizmente, não é. A mídia brasileira, em grande parte, declarou guerra à polícia. Os criminosos são sempre descritos no noticiário como “suspeitos” – não importa se foram pegos em flagrante. Mortos em confronto com a polícia são sempre “rapazes”, ou alguma outra expressão delicada. Mesmo quando são filmados praticando um crime, não se diz o que fizeram – o certo é noticiar que “supostamente” cometeram este ou aquele delito. A responsabilidade nunca é dos criminosos – o crime no Brasil é provocado pela “violência policial”, pelo que se pode deduzir do que aparece na mídia. Os policiais deveriam trabalhar desarmados. Precisariam abandonar a prática da repressão, pois a punição, como se sabe, não é resposta para o crime. Teriam de adotar uma abordagem mais positiva da questão toda, focando sobretudo na ressocialização dos supostos criminosos. E quem sabe não seria melhor, já que tudo está tão difícil, simplesmente extinguir a polícia? A Anistia Internacional, o Human Rights Watch, o Conselho de Direitos Humanos da ONU, etc. etc., sem contar as 1.001 ONGs daqui mesmo que trabalham pelos “rapazes”, iriam aplaudir de pé.

OBS. Para não ficar nenhuma dúvida: a nota acima não é – repetindo: não é – a favor dos bandidos. A nota é a favor – repetindo: a favor – da polícia. A notícia imaginária sobre os rapazes da Rocinha é uma tentativa de ironia, certo? O autor pede desculpas antecipadas a quem leu e achou o contrário. Quando isso acontece a culpa é sempre de quem escreveu.

 

Comentários
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  1. Antonio Carlos dos Santos Carvalho

    Até que enfim um jornalista que escreve e divulga a verdade. Infelizmente, a imagologia – neologismo de Milan Kundera – tomou conta das redações.

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  2. Paulo Roberto do Val Nemer

    J R Guzzo , finalmente alguem com coragem de escrever sobre a inversão de papéis que estamos vivendo . Bandido bom é bandido morto . Tolerancia ZERO já !! O exemplo de Nova York está aí pra quem quiser comprovar . Infelizmente falta a ediçao de um AI – 6 !

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  3. Eduardo Vianna de Paula Filho

    Perfeito, você sabe colocar as coisas nos devidos lugares. A maioria da nossa imprensa está pervertida e nós, que somos entrados nos anos, sabemos de onde vem tudo isso.

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  4. Marcelo Araujo Simões

    Essa mídia bandidólatra, que inverte os papéis e demoniza o policial enquanto santifica o criminoso é a mesma que propagandeia a pornografia e abuso infantil como “arte” e “liberdade de expressão “, na clara tentativa de destruir os caros valores construídos pelo Ocidente civilizado: família, lei, ordem, liberdade e responsabilidade individual. Essa mídia não é composta de jornalistas: são coautores destes bandidos que defendem, inimigos declarados da sociedade. E na Veja, infelizmente, há destes. Jerônimo, colunista de variedades, é um deles.

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  5. Quem Porta Fuzil Implora
    Para Ser Alvo De Um Sniper…

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  6. Andiquerlandio Maia

    Parabéns pelo texto extremamente sagaz. E é uma pena ter que explicar que é uma ironia.

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  7. Manoel Bento Motta

    Parabéns, concordo plenamente.

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  8. Luiz Chevelle

    Guzzo, finalmente você voltou!

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