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‘Sesame Street’ comemora 50 anos

O programa tornou-se um dos maiores empreendimentos documentados no uso de tecnologias para promover a educação infantil

Neste final de semana participei da comemoração dos 50 anos de Sesame Street, produzido no Brasil com o nome de Vila Sésamo.  É um raro caso de sucesso de uso de “tecnologias educacionais” e, ao mesmo tempo, tornou-se um dos maiores, mais completos e mais bem documentados empreendimentos no uso de tecnologias para promover a educação infantil. Para encurtar a conversa, saliento alguns aspectos que a meu ver estão associados ao sucesso dessa iniciativa que continua com cara tão jovem e dinâmica do alto de seus 50 anos.

Sesame Street colocou como seu desafio “descobrir como as crianças aprendem”.  As crianças precisam e gostam de estrutura, previsibilidade, repetição. Novidades são bem-vindas, mas na dose certa e no momento adequado.

Sesame Street nasceu para ser TV aberta, e, portanto, conhece e explora a fundo os recursos da mídia – e das tecnologias que foram se sucedendo desde 1970, para capturar e manter a atenção das crianças.  A linguagem visual e televisiva do programa nunca deixou de se atualizar.

Sesame Street conseguiu unir a expectativa de entretenimento – associada à TV – com a de ensino e aprendizagem – que constitui o seu DNA.  Elas não são incompatíveis – mas requerem uma exímia combinação de ciência e arte.

Por falar em DNA, outra importante característica do programa é sua capacidade de se atualizar sem perder as raízes.  A palavra “tradição” significa “atualizar, trazer para frente” sem perder o essencial. É isso que ilustra a capacidade de inserir novos quadros, novas tecnologias, novos temas e novos personagens em Sesame Street.  O público-alvo não mudou – o programa nasceu e permanece voltado para crianças de nível socioeconômico mais desfavorecido e para minorias em geral.  Apesar disso, ele atrai e afeta positivamente todos os tipos de crianças – e continua a fascinar os seus pais.  O seu objetivo também não mudou – assegurar a prontidão escolar tanto do ponto de vista cognitivo quanto social e afetivo.

Além de uma impressionante folha de serviços e de níveis de audiência, Sesame Street vem alcançando resultados igualmente impressionantes.  Um deles se destaca pelo caráter pitoresco que deu origem ao estudo: na década de 70, diversos estados americanos não recebiam o sinal da PBS (Public Broadcasting Service) – o canal que transmitia o programa.  Anos mais tarde pesquisadores conseguiram comparar os resultados escolares de crianças de estados que tinham acesso ao programa com os que não tinham. Controlados os vários fatores, a diferença é de um ano de escolaridade, um resultado espetacular.

O Brasil já teve sua versão de Sesame Street, o Vila Sésamo. Inspirado nele produziu uma primeira e magnífica versão do Sítio do Pica-Pau Amarelo, mas a segunda não manteve o fôlego.  O Castelo Rá-Tim-Bum foi outra tentativa de grande alcance, mas não sobreviveu.

Mas não vamos tratar disso agora, senão vamos estragar a festa…

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