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Educação em evidência Por João Batista Oliveira O que as evidências mostram sobre o que funciona de fato na área de Educação? O autor conta com a participação dos leitores para enriquecer esse debate.

20 anos de Pisa: mudou algo?

Nos últimos 20 anos, vários governos empreenderam diferentes iniciativas para promover melhorias na educação. Mas os resultados ficaram estagnados.

Por João Batista Oliveira - 9 dez 2019, 16h54

Este é o primeiro post de uma nova série sobre o Pisa, cujo objetivo é retirar, da análise dos dados, reflexões que nos permitam repensar as políticas de educação no Brasil.

As figuras 1, 2 e 3 mostram a evolução do desempenho das escolas públicas e privadas nas disciplinas de Matemática, Leitura e Ciências. Os dados mostram os resultados por percentil e os comparam com a média dos países-membros da OCDE. Vale destacar:

  • Os resultados melhoram até 2009 e depois ficam estagnados. Isso vale para a rede pública e privada.
  • Mas a melhora é relativa: ela se deve ao fato de que, a partir de 2009, um número maior de alunos do 2º ano do ensino médio faz a prova. Ou seja: o que mudou foi a composição dos alunos que fazem o Pisa, e não o nível de conhecimentos dos alunos brasileiros.
  • A aparente melhora do ensino médio na verdade retrata a recuperação do nível que havia sido atingido em 2006 – a rede privada sequer voltou ao nível em que estava no ano de 2009.
  • Em outras palavras: desde que começamos a participar do Pisa, há cerca de 20 anos, pouco ou nada mudou no desempenho dos alunos. O que mudou, positivamente, foi a quantidade de alunos que chegam ao 2º ano do ensino médio.

Cabe observar que nos últimos 20 anos – período compreendido pelo Pisa, vários governos empreenderam diferentes iniciativas para promover melhorias na educação. Houve um aumento de 4 para 6% nos investimentos na área – hoje gastamos mais do dobro do gasto há 20 anos.

No entanto, os resultados não apontam melhorias na qualidade do que se aprende ao longo do processo escolar. Quando observamos os dados da Prova Brasil, observamos que as melhorias se concentram nas séries iniciais, e que, pelo menos até aqui, essa melhoria não repercutiu de maneira decisiva na melhoria do desempenho dos alunos do 9º ano – e dos alunos que fazem o Pisa.

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