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É tudo história Por Coluna O que é fato e ficção em filmes e séries baseados em casos reais

‘O Garoto de Liverpool’: a complexa amizade entre Paul e Lennon

Filme de 2010, disponível na Netflix, acompanha a adolescência dos rapazes pouco antes da criação dos Beatles

Por Da redação Atualizado em 13 out 2017, 16h20 - Publicado em 13 out 2017, 16h00

Poucos relacionamentos na história da música foram tão frutíferos como a união de John Lennon e Paul McCartney. Diferentes, mas complementares, os amigos costumavam compor canções intercalando frases um do outro. Paul com seu sentimentalismo e bom humor, Lennon com seu charme e rebeldia melancólica. O grande produtor dos Beatles, George Martin, chegou a dizer que John era o limão para o azeite de Paul. A mistura para um bom tempero, cada um com seu tom de acidez.

No filme O Garoto de Liverpool (2009), a diretora Sam Taylor-Johnson usou a amizade dos músicos como um ingrediente a mais para narrar a adolescência de Lennon, um rapaz fora do comum, que cresceu em um ambiente familiar alvoroçado, antes de se tornar o líder da banda que marcaria a história. Na produção, Lennon é vivido por Aaron Taylor-Johnson (de Kick-Ass e o vilão de Animais Noturnos), enquanto McCartney fica com o simpático Thomas Brodie-Sangster (Maze Runner e Game of Thrones).

  • Disponível na Netflix, a produção tem pontos certeiros no roteiro, mas chegou a irritar fãs e até provocou comentários de McCartney ao alterar a realidade em prol da ficção. Confira:

     

    Família conturbada

    Aos 5 anos de idade, John foi questionado pelos pais em pé de guerra: com quem você quer ficar? Inicialmente, ele preferiu o pai, mas quando viu a mãe Julia partir, correu em seu encalço. Logo depois, o pequeno acabou na casa dos tios Mimi e George e perdeu contato com o pai. A mãe morava na mesma cidade, mas não criou o filho. Mais tarde, seria ela a primeira a apresentar o rock ‘n’ roll para o adolescente e o ensinaria a tocar o primeiro instrumento, um banjo. Todo o drama familiar é mostrado com esmero pelo filme. A produção, contudo, exagera um pouco no embate entre Julia e Mimi, interpretadas por Anne-Marie Duff e Kristin Scott Thomas. A mãe biológica não foi tão ausente e Lennon não presenciou a morte do tio.

     

    Mimi, a tia de rédeas curtas

    A relação com a tia foi amorosa e severa ao mesmo tempo. Mimi provava seu amor com rigidez. Mas Lennon não carregou mágoas da mãe adotiva, irmã mais velha de Julia. Com a fama, ele se afastou dos familiares, menos de Mimi, para quem telefonava semanalmente. Ele chegou a comprar para a tia uma grande casa em Poole Harbour, litoral da Inglaterra, em 1965, onde ele pendurou uma placa com a frase que ela costumava dizer: “Música pode ser um excelente hobby, mas você nunca vai ganhar dinheiro com isso”.

     

    John vs Paul – e aquele soco

    O Garoto de Liverpool
    //Divulgação

    Lennon e McCartney se conhecem na adolescência. O rebelde John oferece uma cerveja, Paul pergunta se tem um chá. Para conquistar o levemente bêbado roqueiro, McCartney toca Twenty Flight Rock. O encontro, que aconteceu desta maneira, dá o tom da relação entre os jovens, na época com 15 e 17 anos, respectivamente. Como irmãos briguentos, eles protagonizam cenas de rivalidade e ciúme, intercaladas por uma terna amizade. Até aí, a produção trabalha bem a trama da realidade, mas foge deliberadamente em uma das cenas mais dramáticas, quando John dá um soco em Paul. Após o lançamento do filme, McCartney chegou a comentar o momento. “John nunca me deu um soco, mas meu personagem é bem legal no filme, então não ligo muito de ter sido socado”, conta o músico.

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    Gênio rebelde

    Era difícil lidar com John Lennon. No filme, o rapaz é um adolescente chato, que erra a mão no trato com a família e amigos, rouba discos e chega a ser suspenso ao levar uma revista pornográfica à escola. Na vida real, o futuro músico não ficava atrás das descrições da produção. Se a cena do soco em Paul foi irreal, vale lembrar que realmente aconteceu o momento em que Lennon destroça o instrumento washboard (a tábua de lavar roupa) na cabeça de um amigo. As ocasiões, contudo, teriam sido distintas.

     

    De Elvis aos Beatles

    O longa não avança muito na criação dos Beatles, mas mostra bem seu começo. A primeira banda formada por Lennon com amigos da escola se chamava The Quarry Men. Eles tocavam skiffle, o antecessor do rock. A inspiração geral veio com Elvis Presley, tanto que os jovens adotam o característico topete, bem antes do cabelo tigelinha. Em determinado ponto, Lennon reclama com a mãe: “Por que Deus não me fez Elvis Presley?”. Ela responde: “Pois ele estava te preparando para ser John Lennon”. Após os primeiros shows, Paul apresenta George Harrison ao líder rebelde.

     

    Aparência

    O soco inexistente não irritou tanto Paul McCartney na vida real. Porém, o músico fez questão de criticar o que menos gostou na produção: “Sabe o que me deixou irritado? Meu personagem, o meu ator, é muito mais baixo que John (risos). E eu não gostei disso. Eu tinha a mesma altura que John, por favor. Deviam ter colocado John um degrau abaixo, ou meu personagem em um sapato de plataforma”, brincou o músico. Fãs também alertaram para olho azul de Aaron Taylor-Johnson, já que John tinha os olhos castanhos levemente esverdeados.

    Quase incesto

    Fica implícito no filme que Julia só sabe se relacionar com homens com um tom de flerte. O mesmo ela faz com o filho adolescente. A cena em que os dois se deitam juntos no sofá, que deixa o rapaz desconfortável, costumava acontecer com frequência. Anos mais tarde, Lennon diria a Yoko que teve desejos pela mãe.

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