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‘Minha Fama de Mau’: Longa fiel mantém tom cômico das aventuras de Erasmo

Filme conta a história do Tremendão antes e depois do fenômeno da Jovem Guarda

“Hey, hey! Hey, hey! Que onda! Que festa de arromba!”, entoava em uníssono a juventude dos anos 1960 em um eterno dueto com Erasmo Carlos, o dono da canção. A festa de arromba promovida pela ascensão dos ídolos da Jovem Guarda é um dos temas presentes no longa Minha Fama de Mau, inspirado na autobiografia homônima de Erasmo, sob direção de Lui Farias. Com Chay Suede no papel principal, a produção ganha um tom divertido ao ilustrar os casos do Tremendão, acompanhados por grandes sucessos musicais da época. “É um filme para assistir e cantar alto no cinema”, afirma o diretor.

A trama se mantém até fiel às histórias narradas pelo cantor em sua obra – dando um tom ainda mais cômico às aventuras do jovem Erasmo Carlos – mas também tira licença poética para alterar e inventar alguns acontecimentos. Confira abaixo o que é real e o que é falso no longa:

Os sagrados mi, lá e ré

 (//Divulgação)

Um dos momentos que saltam aos olhos do público sem dúvidas é a curta aparição de um jovem e despojado Tim Maia (Vinicius Alexandre), quando este ensina três acordes no violão para Erasmo – mi, lá e ré, dando o pontapé inicial na carreira de compositor do músico. Tim – que na época ainda era conhecido somente como Tião e cujo sonho era morar nos Estados Unidos – realmente foi o responsável por introduzir o Tremendão ao violão e o momento é, inclusive, relembrado com carinho pelo cantor várias vezes ao longo da autobiografia. O “empurrão” de Tim fez efeito e logo Erasmo teve sua primeira composição gravada: o rock Eu Quero Twist, escrito em conjunto com o produtor artístico Carlos Imperial e gravado pela banda Renato e seus Blue Caps em 1962.

 

A briga pelos brotos

 (//Divulgação)

Erasmo e Roberto Carlos se tornaram próximos quando ainda eram adolescentes no Rio de Janeiro – e mal faziam ideia do sucesso que fariam com a Jovem Guarda ao lado de Wanderléa. Entre os “causos” pré-fama, a briga após a gravação do programa Clube do Rock, na sede da TV Tupi no Rio, foi um dos fatos reais que entraram para o longa. Após sair do estúdio, a dupla foi abordada por um lutador de jiu-jitsu, que não aprovava a devoção de sua namorada aos cantores da época. Não deu outra: o homem desferiu um soco em Roberto, que foi nocauteado. Erasmo logo tentou defender o amigo, mas também acabou derrotado pelo lutador. Ao contrário do que o filme mostra, porém, um único agressor foi responsável pela algazarra e várias pessoas, que presenciaram a cena, correram para prestar socorro aos cantores.

 

Sara, Lara, Samara, Clara, e, até que enfim, Nara

 (//Divulgação)

Ao longo da trama, Erasmo se envolve com cinco mulheres com nomes – e rostos – semelhantes: Sara, Lara, Samara, Clara e Nara. Entre as personagens, no entanto, só uma realmente existiu: Nara, carinhosamente apelidada de Narinha, com quem o cantor ficou casado por quinze anos e que ele descreve como a mulher de sua vida. A criação de nomes que lembram “Nara”, além do fato de Bianca Comparato interpretar as cinco mulheres, foi uma maneira poética como o diretor Lui Farias e a atriz contarem que, no fundo, Erasmo sempre esteve em busca da mesma mulher. “Foi a forma que encontramos de Nara poder estar em todos os momentos de amor do filme, como se ele estivesse sempre buscando a mesma mulher ao longo da história”, explicou Bianca em coletiva de imprensa. No entanto, o casal não se conheceu na praia conforme retratado, mas sim durante um baile em 1969. Narinha morreu em 1995, após ingerir cianeto, quando já estava separada de Erasmo havia quatro anos.

‘Amigo’ como reconciliação

 (//Divulgação)

O primeiro contato de Erasmo com a canção Amigo marca um ponto importante do enredo de Minha Fama de Mau: a reconciliação da dupla após Roberto abandonar a Jovem Guarda, consequentemente dando fim ao programa e fazendo com que Erasmo enfrentasse um período difícil de sua vida. Na vida real, porém, a canção desempenhou um papel bem menos dramático, sendo uma surpresa que Roberto fez ao amigo depois de voltar dos Estados Unidos, quase uma década após o fim da Jovem Guarda. Mas nem por isso a ocasião foi menos emocionante – em sua obra, Erasmo conta que, ao ouvir a música pela primeira vez, suas lágrimas “vieram com uma abundância de fazer inveja ao mar de Ipanema”.

 

Ternurinha sem muita ternura

 (//Divulgação)

Ainda longe do estrelato, Erasmo teve seu primeiro contato com Wanderléa – ou Ternurinha, como ficou conhecida – enquanto trabalhava como locutor do programa Os Brotos Comandam, na Rádio Guanabara, substituindo Carlos Imperial. Porém, a cantora havia ido ao local para entregar uma de suas músicas para compor a programação, e não para brigar com o músico por causa de uma fofoca inventada por ele, como retratado no filme. Apesar do encontro real ter sido bem mais amigável, a cena mostra um outro fato verdadeiro: Erasmo costumava se autopromover, sempre assinando com o nome de Imperial, nas colunas que este possuía na Revista do Rádio. “Jovem cantor da Tijuca vai dar o que falar” e “Erasmo Carlos vem aí. Guardem esse nome” eram alguns dos comentários frequentes e nada modestos que Tremendão escrevia sobre si mesmo na publicação. 

 

A tão sonhada geladeira

 (//Divulgação)

A infância de Erasmo Carlos foi marcada por um esforço incansável de sua mãe, Maria Diva, para poder sustentar o filho enquanto trabalhava como lavadeira e passadeira. Apesar da constante insistência da família que “música não dá dinheiro”, o sucesso da Jovem Guarda, a venda dos discos de Erasmo, os shows lotados e o lançamento da grife Tremendão fizeram todos os parentes se calar. O cenário começou a mudar e uma das primeiras aquisições do cantor após estourar como parte do trio mais idolatrado do país foi uma geladeira, assim como mostrado no filme, além de uma televisão e novos móveis para a casa onde morava com sua mãe e seus familiares.

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