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O que os generais de Kim Jong-un anotam em seus caderninhos?

O ditador Kim Jong-un da Coreia do Norte ostenta o título de "Brilhante Camarada". Sua sabedoria é inigualável

Por Duda Teixeira - Atualizado em 28 set 2018, 16h28 - Publicado em 20 jun 2016, 08h09

O ditador Kim Jong-un da Coreia do Norte ostenta o título de “Brilhante Camarada”, dado em 2009 pelo seu pai Kim Jong Il pouco antes de morrer. Pela lógica da única ditadura comunista hereditária do mundo, ele é hoje considerado o herdeiro da sabedoria de seu pai e do seu avô, Kim Il Sung.

Nas viagens pelo país, Kim Jong-un distribui esse conhecimento fantástico para todos os habitantes de seu reino, como um guia benevolente. Suas ordens são consideradas mais importantes que a Constituição. Quem toma nota delas são generais e funcionários, membros do Partido Comunista. Eles quase sempre aparecem nas fotos de Kim Jong-un, caminhando a seu lado com bloquinhos de anotação.

Em 2014, Kim Jong-un assistiu a uma partida entre duas equipes da Coreia do Norte. Logo após, ele deu “valiosas instruções para completar a tecnologia do esporte, o sistema de técnicas e os métodos de treinamento ao estilo coreano”, segundo a agência oficial de notícias, a KCNA.

 

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Em algumas visitas, Kim Jong-un está mais inspirado. Ao passear pelo hospital Taesongsan, em 2013, ele fez diversas recomendações. Na farmácia, sugeriu que escrevessem textos nos rótulos dos remédios com a “língua oficial internacional” (como é antiamericano, ele jamais falaria “inglês”). Nos corredores, instruiu para que colocassem bancos e pendurassem avisos nas paredes com informações de saúde. Na sala de cirurgia, conferiu se os materiais estavam completamente esterilizados e “sem pó”. Na sala de endoscopia, verificou o estado dos equipamentos. “Eu gostei do uso do espaço na sala de cirurgia abdominal”, disse ele. Kim Jong-un ainda recomendou o plantio de árvores para que os pacientes possam descansar bem e passear.

Um detalhe interessante nessa história é que, embora divague sobre qualquer tema, Kim Jong-un não foi muito bem quando estudou em uma escola na Suíça. Apesar de estar em uma turma de alunos dois anos mais novos, o “Brilhante Camarada” tirava notas fracas e passava sempre raspando. Faltava constantemente e, segundo um professor, só aparecia para as aulas da tarde.

As anotações feitas pelos seus comandados não costumam ter um destino. Quando têm, algumas vezes elas  entram em contradição com outras anteriores. Nesse caso, a última é que fica valendo.

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