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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Silêncio dos dissidentes

Infiéis da esquerda na Câmara são aconselhados a 'mergulhar'

Por Dora Kramer 23 dez 2020, 08h07

Depois do anúncio da adesão de onze partidos, dentre os quais os de esquerda, ao grupo liderado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, na tentativa de eleger o sucessor, os contrários a essa decisão dentro de cada legenda foram aconselhados a “mergulhar” e a trabalhar em silêncio por um racha em favor com candidato governista Artur Lira.

A ideia é deixar prevalecer o clima favorável aos aliados de Maia a fim de não estimular uma reação que possa levar as direções das legendas a tomar atitudes mais firmes para forçar os votos dos dissidentes, com ameaças de restrição de espaços para o exercício do mandato. Mesmo a votação sendo secreta os partidos sempre têm caminhos para detectar os infiéis.

Esse movimento de “mergulho” é mais acentuado no PT (54 deputados) e no PSB (31 deputados, mas só 30 votos porque um deles foi eleito prefeito) onde as, digamos, bancadas dissidentes são mais numerosas.

A estratégia é não dar margem para um embate na opinião pública, dado que um apoio explícito a um candidato apoiado por Bolsonaro faria os que querem votar nele perderem a guerra antecipadamente no campo da comunicação. E para não ficarem mal na foto, por ora resolveram sair de cena e se calar.

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