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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Presidente esperneando

Bolsonaro recorre ao teatro na falta de recursos reais para reagir às adversidades

Por Dora Kramer Atualizado em 10 ago 2021, 15h16 - Publicado em 10 ago 2021, 10h49

O teatro montando pelo presidente da República com o desfile de blindados pela Esplanada dos Ministérios pretendeu dar uma demonstração de força, mas transmitiu uma mensagem de fraqueza. Digna de vergonha alheia pela obsolescência da cena e pela amplitude de reações de condenação que atraiu.

Jair Bolsonaro busca esconder, com isso, a perda de condições objetivas para reagir às adversidades que o cercam. Não obteve apoio explícito nem de seus mais fiéis aliados. Aos que ficaram em silêncio juntaram-se os que se manifestaram como o presidente da Câmara, Arthur Lira, que qualificou como “trágica coincidência” a realização do desfile no dia da votação da emenda constitucional do voto impresso.

Às Forças Armadas não cabia saída a não ser a obediência à ordem de seu chefe supremo, mas é de se conferir daqui até às próximas eleições qual o grau de entusiasmo dessa submissão que, gostemos ou não, é constitucional. O evidente prejuízo à imagem dos militares não deixará de ter repercussão no comportamento deles na campanha pela reeleição.

O presidente esperneia porque é sua maneira de criar um ambiente de distração aos seus imensos de reais problemas expressos nas investigações da CPI da Covid e na decisão do Poder Judiciário de dar um fim ao período de tolerância com as exorbitâncias presidenciais, reagindo a elas com ações judiciais.

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