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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Polícia e política

Uma coisa é a corrupção no Rio, outra a briga de Bolsonaro e Witzel

Por Dora Kramer - 27 May 2020, 11h16

A devassa nos endereços ligados ao governador do Rio de Janeiro por força de investigação de fraudes em contratos da secretaria de Saúde acabou por, inevitavelmente, ser confundida com a interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal e sua briga com Wilson Witzel.

Embora possam se misturar em algum ou em vários momentos, são duas coisas que o bom senso aconselha a serem tratadas separadamente. Sob o risco de se anularem mutuamente: nem se apurar direito a participação do governador no esquema de corrupção no fornecimento de material e construção de hospitais de campanha para o combate à crise sanitária nem se investigar devidamente o possível ato de perseguição política.

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Há fundamentos nos dois cenários. No caso de corrupção, a PF não está sozinha. A operação foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça, com base em indícios fornecidos pelo Ministério Público: atos do governador, gravações telefônicas com autorização judicial, troca de e-mails, contratos do escritório da advogada Helena Witzel e depoimentos de fornecedores presos.

Na tese da perseguição política, pesam o contexto da interferência de Bolsonaro, a antecipação de que haveria em breve operações sobre governos estaduais, tanto por parte da deputada Carla Zambelli quanto dos deputados Eduardo Bolsonaro e Anderson Moraes. Fechando a cena, a comemoração do presidente à deflagração da operação Placebo. É de se desconfiar, mas há que se investigar a sério nas duas pontas.

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