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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

O dono do gesto

STF tira de Maia a chance da iniciativa de recusar a reeleição

Por Dora Kramer Atualizado em 7 dez 2020, 12h30 - Publicado em 7 dez 2020, 11h39

O roteiro estava escrito: assim que o Supremo permitisse a reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado, o deputado Rodrigo Maia anunciaria a decisão de não se candidatar a mais um mandato, no caso, o quarto. Pelo menos era essa a expectativa dos aliados do presidente da Câmara e era isso o que estava combinado com o presidente do DEM, ACM Neto.

Se Maia mudaria de ideia diante da realidade já não é possível dizer, pois o STF neste domingo 6 mudou o rumo da prosa que até a véspera se encaminhava para uma decisão majoritária em favor da reeleição e contra a Constituição.

Os votos da virada, de Luiz Edson Fachin, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux, se de um lado tiraram de Maia a chance de fazer o gesto magnânimo e se posicionar bem diante da opinião pública, de outro impediram o tribunal de incorrer em flagrante e amplamente repudiado casuísmo.

Desse modo, retiraram também as escadas sob os pés de Gilmar Mendes, Alexandre Moraes, Nunes Marques e Dias Toffoli, que arcaram de graça com o prejuízo de votar contra preceito claro da Constituição pautados na conveniência política que achavam a mais correta. Os quatro donos desses votos além de vencidos terminaram vencidos e subtraídos na condição de integrantes da Corte guardiã da legalidade nacional.

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