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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Lenha na fogueira

Agressividade do relator põe em risco andamento da CPI

Por Dora Kramer Atualizado em 12 Maio 2021, 18h41 - Publicado em 12 Maio 2021, 18h33

Fábio Wajngarten mentiu à CPI da Covid e foi de pronto desmentido. Tanto pela divulgação, durante a sessão, do áudio da entrevista dada a VEJA em que apontava a “incompetência” do Ministério da Saúde na aquisição de vacinas contra o coronavírus, sob a gestão de Eduardo Pazuello, quanto pelas contradições cometidas por ele nas várias tentativas de eximir o presidente Jair Bolsonaro de qualquer responsabilidade.

O ex-secretário de Comunicação da Presidência saiu-se muito mal dessa empreitada, porque acabou fornecendo à comissão o documento mais importante obtido até agora nas investigações das ações e omissões do governo federal na gestão da pandemia.

A carta da desenvolvedora Pfizer abrindo negociações para compra do imunizante _ ignorada por pelo menos dois meses _ explicita a negligência. Da parte do presidente e de outros ministros aos quais a correspondência foi encaminhada e que do mesmo modo não deram atenção a ela.

Wajngarten atrapalhou-se de tal forma no esforço de proteger o presidente e de mudar a versão dada a VEJA sobre Pazuello, que suscitou pedidos de prisão numa ofensiva liderada pelo relator Renan Calheiros, apoiada por alguns senadores, mas rechaçada em princípio pelo presidente da CPI, Omar Aziz.

A questão ficou em suspenso quando da interrupção da sessão no final da tarde por causa do início da ordem do dia no plenário do Senado. O desfecho definitivo ficou na dependência de um entendimento no intervalo.

De qualquer maneira, o tenso entrevero que se estabeleceu na comissão entre presidente e relator serviu para marcar nítida diferença de posições: Omar Aziz firme, mas ponderado, e Calheiros agressivo e temperamental.

Numa das primeiras sessões da CPI o relator tomou a iniciativa de dizer que não cairia em “provocações”. Caiu hoje instantes antes da interrupção ao trocar insultos com Flávio Bolsonaro. O filho do presidente já havia deixado claro que faria o papel de provocador sempre que comparecesse à CPI da qual não é integrante, mas na qual tem do direito de falar como senador.

Nada que possa alterar o trajeto da CPI, pois dele é o que se espera. Não é, no entanto, a expectativa que se tem sobre a conduta do relator, cuja excessiva hostilidade exibida em relação a alguns depoentes é não apenas desnecessária como pode pôr em risco a credibilidade da comissão e a serenidade indispensável ao bom andamento dos trabalhos.

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