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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Ilegal, e daí?

Wajngarten, Álvaro Antônio, Queiroz e Flávio engordam balaio de ilegalidades sustentadas

Por Dora Kramer - Atualizado em 17 jan 2020, 14h53 - Publicado em 17 jan 2020, 10h24

“Se for ilegal, a gente vê mais para a frente”. A frase, dita pelo presidente da República a propósito do óbvio conflito de interesses entre a empresa de comunicação FW e o titular da Secretaria de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, já se consolida como um lema de Bolsonaro, cujo desapreço de campanha por ilícitos no governo revela-se seletivo.

O presidente tem se notabilizado por ser intolerante a críticas de auxiliares ao mesmo tempo em que se mostra extremamente tolerante com os acusados (com fatos) de envolvimento com atos ilegais. Integram a lista além de Wajngarten, Flávio Bolsonaro, Marcelo Álvaro Antônio (ministro do Turismo) e Fabrício Queiroz.

Em todos esses casos o presidente teve oportunidade de não se associar às ilegalidades, mas preferiu deixar para ver no que ia dar “mais para a frente”. Ou não sabia do laranjal do PSL de Minas presidido pelo depois ministro do Turismo? Da mesma forma difícil acreditar que desconhecesse as peripécias do filho e do amigo/funcionário na prática de contratar gente mediante devolução de parte dos salários.

Fábio Wajngarten tem 95% das ações da FW e a mãe dele os outros 5%. Afastou-se formalmente na empresa na qual deixou no comando o irmão do escolhido para funcionar como seu vice na Secom. Secretaria que gerencia contratos de publicidade e consultoria feitos exatamente com a clientela-alvo da FW. Se isso não é conflito de interesses, cumpre revisar o conceito do que seja.

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