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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Fux em luvas de pelica

Presidente do STF chamou Bolsonaro às falas com elegância e inteligência

Por Dora Kramer 13 jul 2021, 09h42

O ministro Luiz Fux, presidente do Supremo Tribunal Federal, foi elegante e, sobretudo, agiu com inteligência ao chamar o presidente Jair Bolsonaro para uma conversa que equivaleu a um sutil enquadramento aos bons costumes democráticos.

A despeito do tom ameno do presidente à saída do encontro, Bolsonaro não vai mudar. Continuará confrontando, mas foi obrigado a pôr um freio na escalada de ameaças relativas às eleições do 2022. Além disso, Fux o obrigou a se comprometer com o respeito à Constituição.

Embora isso não contenha o presidente, sinaliza a ele a dimensão de seu isolamento no campo institucional. O próprio Bolsonaro pareceu ter-se dado conta disso quando, entre as declarações de ontem (12.07) disse a seguinte frase: “Pensei que haveria mais gente importante ao meu lado”.

Em outras palavras, imaginou que teria adeptos ao seu modo de (des) governar. Não apenas Fux, mas o manifesto de ex-procuradores gerais da República, o inquérito aberto pela Polícia Federal para investigar a ocorrência de prevaricação no episódio do contrato da vacina Covaxin, a adoção de uma atitude mais ativa do presidente do Senado e o avanço da CPI da Covid-19, deixaram muito claro que as ofensivas antidemocráticas do presidente não encontram respaldo na República.

Não na banda sadia dela.

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