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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Fim de caso

Habitualmente sinuoso, Antônio Palocci foi direto e contundente ao detalhar o trato criminoso entre Lula e a Odebrecht

Por Dora Kramer 7 set 2017, 22h04

Patética a reação do PT à decisão do ex-ministro Antonio Palocci de pôr os devidos pingos nos iis do nefasto trato entre Lula da Silva e a construtora Odebrecht. Perseguição de “setores da Justiça” contra o partido e o ex-presidente, alega ainda a Executiva Nacional. Isso a despeito de os fatos terem sido relatados por um prócer da agremiação, coordenador do programa de governo na campanha de Lula em 2002, comandante da economia no governo até se enrascar com a invasão do sigilo bancário de uma testemunha (o caseiro Francenildo Costa) de suas andanças por uma casa de lobby e encontros em Brasília, ressuscitado como um dos cabeças da campanha de Dilma Rousseff em 2010, em seguida chefe da Casa Civil até de novo se enrascar, desta vez com ganhos por prestação de serviços inexplicáveis. Em determinado momento foi considerado no topo da lista de possíveis candidatos à Presidência pelo PT.

Na visão do partido, portanto, um quadro da mais alta qualificação e confiabilidade. De onde se desenha melancólica de tão frágil a reação de Lula ao tirambaço recebido nesta semana. Segundo ele, Palocci não tem “compromisso com a verdade”, pois estaria desesperadamente em busca de benefícios judiciais. Apenas nos grotões por onde andou nas últimas semanas Lula poderia colher alguma credibilidade, pautada pela ignorância que ele tanto preza e de que tanto precisa. O restante do País está devidamente informado que os benefícios só serão dados mediante compromisso com a verdade.

Palocci só falou porque se enrascou de uma vez por todas sem saída. Até então, ele e outros delatores haviam negado evidências na esperança de que não se transformassem em provas. Ou será que falavam a verdade e resolveram mentir quando não era mais possível ocultar suas ações? Não faz sentido.  Ocorre o contrário, mentiram e, diante do inexorável, renderam-se. Nem todos. Paulo Okamoto e José Dirceu, por exemplo, apresentaram-se ao cadafalso calados. Mártires inúteis. Palocci em seu relato chegou ao topo da cadeia alimentar da corrupção, ajudando a escrever o fim de um caso que há muito tempo estava na hora de acabar.

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