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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Ficção na ONU

Na Assembleia Geral, Bolsonaro falou de um Brasil que não existe

Por Dora Kramer Atualizado em 21 set 2021, 13h33 - Publicado em 21 set 2021, 13h30

O “novo Brasil” de que falou Jair Bolsonaro na abertura da Assembleia-Geral da ONU simplesmente não existe. Em matéria de produção de notícias falsas o presidente deu um verdadeiro show.

Na versão apresentada por ele, o Brasil é um exemplo para o mundo na preservação ambiental, no trato das populações indígenas, no crescimento da economia (5% é o PIB para 2022, disse ele), no exercício da tolerância, no combate à pandemia, na criação de empregos, na geração de energia. É também um paraíso de paz e estabilidade, destino ideal para investidores e um país que priva de grande credibilidade aos olhos do mundo, com um governo dono de robusto apoio interno.

Nada disso, sabemos nós e sabe o declínio da imagem do Brasil no exterior, é verdade. O presidente da República apresentou por escrito uma peça de ficção desmentida pela realidade do governo dele. Se o discurso foi um desfiar de fake news na quase totalidade suas atitudes e de parte da comitiva na véspera em Nova York falaram mais alto.

As atitudes grosseiras, as fotografias vulgares, a vergonha de se apresentar ao mundo com orgulho e zombaria como o único governante a não se vacinar traduzem com mais propriedade o presidente que no discurso insistiu na defesa do tratamento precoce contra a Covid-19, culpou os governadores pelas dificuldades na economia e qualificou como mentirosos os relatos dos desmandos diários do governo brasileiro. Estes sim, retratos referidos na realidade distante do universo paralelo desenhado por Bolsonaro na ONU.

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