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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Denúncia vazia

Procurador mirou em Glenn e atirou na reputação do Ministério Público

Por Dora Kramer - Atualizado em 22 jan 2020, 09h42 - Publicado em 22 jan 2020, 09h06

Pode-se discordar dos métodos, dos propósitos, das atitudes e das palavras do jornalista Glenn Greenwald, do site Intercept Brasil, mas não se pode aceitar que o Ministério Público denuncie uma pessoa contra a qual não há sequer uma investigação.

O procurador Wellington Oliveira, de Brasília, incluiu Greenwald no rol dos acusados de roubar mensagens dos celulares de várias autoridades, sendo a mais notória o ministro da Justiça, Sergio Moro, contrariando decisões opostas às de um delegado da Polícia Federal e de um ministro do Supremo que o haviam isentado de culpa na participação do delito.

O procurador resolveu por sua conta e risco entender diferente. Se a ideia dele era atuar como vingador de Moro, deu-se mal. A denúncia não irá adiante, serviu para despertar uma onda de solidariedade ao jornalista, uma reação forte em defesa do preceito da liberdade de imprensa e ainda feriu gravemente a reputação do Ministério Público como instância defensora da sociedade.

Mais uma para a coleção de tiros no pé dos adeptos do voluntarismo travestido de rigor legalista.

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