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De volta ao ringue

Em 2020 o embate vai se repetir nas capitais, em prévia para 2022

O aviso aos navegantes do barco de Jair Bolsonaro já foi dado: reúnam suas tropas, recarreguem as baterias e disputem as eleições municipais de 2020 com a gana de um exército disposto a ocupar o máximo de territórios no cenário nacional. A ideia é repetir, ao menos nas capitais e nas grandes cidades, o embate de 2018 entre os chamados conservadores e os ditos progressistas, a fim de manter acesa a chama que, na cabeça de Bolsonaro, pode levá-lo à reeleição em 2022.

Políticos mais afoitos costumam encarar os resultados de eleições de prefeitos e vereadores como uma prévia do pleito para presidente e governadores, embora os mais experientes avisem sempre que são momentos e circunstâncias totalmente diferentes. Em dois anos tudo pode acontecer, ainda mais neste Brasil em que são temerárias as previsões com mais de quinze minutos de antecedência.

Presidentes não costumam se envolver com muito afinco. Em uma ou outra eleição talvez, quando não há risco de as derrotas serem espetadas na conta do Planalto. Bolsonaro sinaliza que com ele não será assim, porque já se movimenta, como fez ao explicitar seu apoio a uma candidatura da deputada Joice Hasselmann em São Paulo. Fora da cena principal tem feito mais.

Já compartilhou com mais de um interlocutor a intenção de formar uma legião de candidatos país afora, independentemente da filiação partidária. O critério é o mesmo aplicado a tudo o mais que diz respeito ao presidente: afinidade de ideias, propósitos e procedimentos. Além de, obviamente, compromisso com a reeleição para a Presidência. As inscrições estão abertas.

“Em dois anos tudo pode acontecer, ainda mais neste Brasil em que as previsões são temerárias”

A falta de postulantes não será obstáculo. Os empecilhos ao sucesso da empreitada estão em outros campos. O da legislação é um deles. Conforme exigência legal aprovada em 2017, a partir do pleito do ano que vem vale a proibição de coligações para eleições proporcionais. Isso significa que os partidos não poderão se juntar para eleger vereadores, o que limita a amplitude da articulação das chapas majoritárias. O.k., atinge a todos, mas prejudica mais quem tem planos de expansão.

Outro problema é a política. Um PT enfraquecido e uma esquerda sem organização nem atuação ativa não servirão de contraponto com a força de 2018. Claro que Bolsonaro insistirá no discurso de combate ao petismo, mas vai lutar contra uma ameaça frágil, muito distante daquela contra a qual se posicionaram até mesmo os eleitores que não tinham o hoje presidente como santo de sua devoção.

O mais provável é que se apresentem como seus reais adversários candidatos do campo que foi de Bolsonaro em 2018 e daqueles que se mantiveram relativamente neutros, aqui incluídos os planos futuros do governador João Doria e uma possível candidatura de Luciano Huck.

Por fim, e em posição de destaque, está a população, prejudicada por uma eleição municipal nacionalizada que deixe de lado as questões a ser discutidas e resolvidas nas cidades. Será difícil que o cidadão, mais politizado justamente nessas localidades, aceite tudo sem reação se enxergar no plano a tentativa de ser passado para trás em nome da reeleição.

Publicado em VEJA de 17 de julho de 2019, edição nº 2643

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