Clique e assine a partir de 9,90/mês
Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Crepúsculo da deusa

Regina Duarte foi moída e triturada na passagem pelo governo

Por Dora Kramer - 20 maio 2020, 12h02

A saída de Regina Duarte da secretaria de Cultura reuniu, numa cena, vários dos elementos que compõem o teatro de demissões de auxiliares do presidente Jair Bolsonaro: fritura no bastidor com desmentido oficial, vaivém de demissão e confirmação no cargo, desmoralização pública do titular do posto, comprovação do equívoco de parte a parte na nomeação e busca de uma saída honrosa que se revela desonrosa.

Vários episódios apresentaram uma ou mais dessas características, mas nenhuma juntou todas elas como o agora envolvendo uma atriz cujo prestígio construído ao longo de décadas foi por ela jogado no lixo em breve espaço de tempo.

O epílogo de Duarte se pendurando no pescoço de Bolsonaro às gargalhadas de felicidade cênica com um prêmio de consolação na cinemateca de São Paulo foi vergonhoso, à semelhança no capítulo anterior no já antológico ataque explícito de autodestruição em transmissão ao vivo pela CNN Brasil.

Donde a dificuldade do presidente de conseguir profissionais respeitados na área médica dispostos a assumir o ministério da Saúde nessa máquina de moer reputações chamada Jair Bolsonaro.

Publicidade