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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Conspiração tabajara

Não tem cabimento a teoria de que Moro teria urdido transferência de Lula

Por Dora Kramer 8 ago 2019, 09h06

Serve para animar a polêmica e acirrar antagonismos, mas não faz o menor sentido a teoria conspiratória de que o ministro Sérgio Moro teria arquitetado, por influência na Polícia Federal e ascendência sobre um juiz corregedor, a transferência do ex-presidente Lula para o presídio de Tremembé (SP).

Se fosse por revanchismo, qual o interesse de Moro em provocar uma situação em que haveria previsível reação de solidariedade, abrindo até espaço para eventual decisão do Supremo pela liberdade do ex-presidente, até por parte dos opositores de Lula? Pois é, nenhum.

Nada a ver com sadismo ou revanche. A PF há muito defende a transferência dele de Curitiba alegando falta de estrutura, aumento de despesas e deslocamento de agentes, bem como a vizinhança protesta contra os transtornos e a falta de segurança na região. Daí o pedido ter sido feito também pela prefeitura de Curitiba.

São inadequadas também as críticas à juíza Carolina Lebbos, da Justiça Federal do Paraná. Ela tomou uma decisão considerada juridicamente correta até por advogados que discordam do envio a Tremembé, onde não haveria como garantir a segurança de Lula.

A escolha do local foi o juiz do departamento de execuções penais do Tribunal de Justiça de São Paulo. Indicado para o posto por Moro. Ok, mas, de novo: qual seria o interesse do ministro em pedir a ele que tomasse uma decisão feita e acabada ao molde de tiro pela culatra, digna das organizações Tabajara? Pois é, nenhum.

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