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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Capital negativo

Esperado por economistas, recuo do PIB aprofunda frustração de expectativas na seara política

Por Dora Kramer - Atualizado em 30 maio 2019, 14h15 - Publicado em 30 maio 2019, 09h58

A leitura dos especialistas em economia é a de que o recuo de 0,2% do PIB ainda não configura um cenário totalmente trágico, de recessão. Na seara política, porém, o quadro aproxima-se do dramático se analisado no contexto de um governo eleito em clima de boas expectativas quanto à recuperação da economia.

Era um dos ativos eleitorais de Jair Bolsonaro, não só por conta das promessas de campanha, mas principalmente da boa aceitação com a formação da equipe econômica. Os números desta quinta-feira, 30, aprofundam a frustração já presente nas avaliações sobre o desempenho do governo em diversas áreas e ampliam a desconfiança na capacidade de Bolsonaro de tirar o Brasil de um caminho que se avizinha recessivo.

Não é bom para nenhum presidente, muito menos para um cuja estreia esteve cercada de otimismo, estrear seu primeiro trimestre com um dado que não se mostrava tão negativo assim desde 2016. Junto com a queda do PIB obviamente cairá mais a confiabilidade da população em geral e dos investidores em particular em Jair Bolsonaro.

O efeito talvez não fosse tão ruim se, nesse mesmo período em que a economia se mostrou incapaz de reagir, o presidente tivesse exibido ao menos um potencial de vigor de governança, no lugar de se perder em embates inúteis e demonstrações toscas de despreparo.

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Independentemente das evidentes (más) consequências econômicas, esse resultado tem rebatimento altamente nefasto na política onde os índices do capital de Jair Bolsonaro ficam ainda mais negativos que os números do PIB.

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