Clique e assine a partir de 9,90/mês
Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Barata voa

Ao rejeitar a articulação política tradicional, Bolsonaro optou pela desarticulação total

Por Dora Kramer - Atualizado em 18 Oct 2019, 15h38 - Publicado em 18 Oct 2019, 15h28

Inexperiência, grosseria, vulgaridade, falta de respeito, desprezo aos rituais e liturgias dos cargos são alguns dos inúmeros ingredientes que, pelo visto recentemente no embate entre o presidente e o PSL, compõem a receita do que Jair Bolsonaro chamou de “nova política” quando prometeu aos eleitores inaugurar relações diferentes com o Congresso.

De fato, diferentes elas são, mas mudaram para pior. Bolsonaro diz desde o início do governo que dispensaria o método tradicional de articulação política. Menos de dez meses depois o que se vê é a instalação da desarticulação total. Ao ponto de ser gravado cabalando votos para a derrubada de um líder de partido na Câmara e, depois disso, ser derrotado na indicação do filho Eduardo para o mesmo posto. Filho este que, de quebra, perdeu as poucas condições que tinha de ser aprovado pelo Senado como embaixador nos Estados Unidos.

A briga não acabou, tende a ficar ainda mais feia, pois há munição guardada de parte a parte. De posse daqueles péssimos fatores citados no início do texto, os contendores trocarão seus chumbos da pior maneira possível. Não há vencedores nessa guerra. Perde Bolsonaro, mas perde também a instituição presidência da República e perdemos todos a chance de ver o ambiente na política melhorar.

Publicidade