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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Agitação e distração

Diante da crise global, Bolsonaro atua para distrair e agitar a plateia no âmbito nacional

Por Dora Kramer - 10 mar 2020, 12h18

O mundo e o Brasil por consequência estão na iminência de mergulhar numa grave crise econômica. Neste cenário seria de se esperar que o chefe da nação estivesse pronto a dar respostas de eficácia e clareza à altura da situação.

E o que vemos no lugar disso? Vemos o presidente Jair Bolsonaro sendo Bolsonaro no pior dos sentidos: busca distrair da plateia sacando uma declaração sobre fraude da eleição de 2018 e procura manter alto o nível de agitação na arquibancada ao desafiar os presidentes da Câmara e do Senado a se manifestarem contra a cessão de parte do Orçamento à gerência do Congresso, a fim de esvaziarem a manifestação prevista para o próximo dia 15.

Nada disso resolve os problemas concretos de fuga de investimentos, crescimento econômico lento, conflitos institucionais, atraso na agenda das reformas, desconfiança internacional decorrente das posições sobre o trato de questões ambientais, entre outros.

Essa estratégia de levar tudo na base da distração, da agitação e do ressentimento pode até dar certo para mascarar o descaso e o despreparo do presidente no que tange à administração do país.

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Não é certo, porém, que seja suficiente para lhe garantir a renovação do mandato pois, se de um lado mantém acesa a chama de seus radicais, de outro engrossa o contingente dos insatisfeitos que já dão sinais de disposição para quebrar divergências internas e começam a plantar as sementes de uma frente de oposição.

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