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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Acossado, Bolsonaro radicaliza para estimular apoiadores a se manifestarem

Presidente age para sacudir e incentivar seus admiradores a se manifestarem a fim de aferir o tamanho de seu apoio

Por Dora Kramer - 28 mar 2020, 13h03

Duas perguntas têm sido feitas em (quase) toda parte por (quase) toda gente: Por que Jair Bolsonaro radicaliza na contramão da humanidade? Haverá um momento em que o presidente recuará e mudará seu discurso de condenação ao isolamento social?

Começando pela segunda: não, ele não vai parar. Já mostrou que limite não é com ele. Quanto à razão pela qual escolheu a via daquilo que ao senso comum soa a um suicídio político/eleitoral, Bolsonaro age assim para sacudir e incentivar seus admiradores a se manifestarem a fim de aferir o tamanho do apoio de que dispõe e, com isso, procurar se contrapor ao isolamento que lhe impõem os políticos daqui e os especialistas médicos de todo o mundo.

Na percepção geral trata-se de uma tática fadada ao fracasso, mas na visão paranoica de um acossado, melhor perder por mil do que perder por um.

Nesse aspecto, não é um exagero dizer que Bolsonaro conta com o andamento de um processo de impeachment a fim de poder reforçar o papel de vítima do sistema ou, para usar a linguagem dele, da “velha política”.

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