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A toada da orquestra

A equipe, a posse e o Congresso dirão a que virá Bolsonaro

Os donos do dinheiro, aqui e alhures, estão de antenas ligadas em três movimentos do presidente eleito que, segundo eles, definirão os rumos do governo Jair Bolsonaro: formação do ministério, discurso de posse e eleição dos presidentes da Câmara e do Senado, compreendida como determinante para a relação com o Congresso. São esses os temas de interesse imediato no mundo da finança, em boa medida coincidente com a expectativa dos setores socialmente influentes.

Tais requisitos vão sendo de conhecimento de todos no Brasil e no exterior por ordem de entrada em cena. Agora o gabinete presidencial, em 1º de janeiro o pronunciamento inaugural e no início de fevereiro a escolha dos comandantes do Parlamento. Para os estrangeiros em busca de informações por intermédio de analistas especializados, há duas linhas mestras a ser observadas: o grau de estabilidade política e o índice de instabilidade de risco representados pelo próximo governo.

Quando se explica a eles que na essência a estabilidade está assegurada, pois vem passando com louvor por diversos testes desde a retomada do regime democrático, não parecem muito convencidos. Parecem crer mais nas intercorrências, declarações estapafúrdias, protestos e turbulências ocasionais do que no avanço inequívoco da firmeza das instituições e do protagonismo da sociedade.

Quanto ao risco, é da vida. No caso de Bolsonaro há o receio de retrocesso institucional, moral e/ou social. De onde a atenção àqueles três movimentos já citados. Os primeiros acordes no tocante à formação do ministério causaram boa impressão pela entrega de áreas cruciais no momento brasileiro às mãos de profissionais. Paulo Guedes foi desde sempre sinalizado e depois confirmado para o comando da economia, e Sergio Moro aos poucos vem reduzindo as resistências à sua indicação para cuidar do crime organizado e da corrupção institucionalizada.

É nítido que Jair Bolsonaro — pelo teor das declarações em campanha e mesmo depois de eleito — não sabe onde pisa quando se trata de política externa. Aqui os recuos em assuntos como submissão cega aos Estados Unidos, repúdio à China, intromissão indevida no conflito árabe-israelense e menosprezo a parceiros sul-americanos têm soado como um indicativo de que o eleito aceita o exercício da escuta. Ponto ainda a ser confirmado como positivo.

No discurso de posse é esperado que ele faça muito além e melhor do que fez nos pronunciamentos logo após a vitória. Compromisso com as reformas e orientação de rumo claro são considerados essenciais. A relação com o Congresso ainda é uma incógnita a ser desvendada. Pré-requisito é que aplique um “por que não se calam?” aos afoitos que pretendem “dar uma prensa” no Parlamento ou “tratorar” a oposição.

Quanto à profissão de fé na Constituição, não é uma escolha, mas um imperativo aos que têm apreço pelo poder. Governante que não se mantém na estrita regra constitucional corre o risco de ser constitucionalmente derrubado.

Publicado em VEJA de 14 de novembro de 2018, edição nº 2608

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